GRUPO 9: ADALTO HENRIQUE MARSON / LUCÉLIA IGNÁCIO
INTRODUÇÃO:
Realizado nos dia 17 e 18 de outubro de 2009 o trabalho de campo, sobre a orientação dos professores do 4º ano de Geografia da Universidade Estadual de Londrina, Márcia Siqueira de Carvalho e Omar Neto Fernandes Barros na região da tríplice fronteira, em Foz do Iguaçu , Paraguai e Argentina, decorrente da disciplina de Geografia do Brasil e Biogeografia, o trabalho de campo,interdisciplinar nos possibilitou uma experiência de conhecimento e vivência imprescindíveis no contexto de ambas as disciplinas.
Em um primeiro momento, nas cidades de Foz do Iguaçu e Paraguai, podemos observar o uso do território em suas diversas maneiras, o intenso fluxo de produtos, serviços e pessoas concentrado nesta região, nos diferentes espaços percorridos, e como o homem tem alterado e usufruído deste território remodelando o de acordo com seus interesses sociais e principalmente econômicos.
O objetivo dessa parte do trabalho foi vivenciar em contexto e prática os conteúdos discutidos dentro da disciplina de Geografia do Brasil, assim como o estudo das principais características da região da tríplice fronteira, analisando a infra - estrutura presente nas ruas da cidade de Foz do Iguaçu , a diversidade das atividades econômicas, os principais problemas sociais, tais como a violência o tráfico de drogas, facilitados e influenciados por esse fluxo, como também pela ausência de melhorias nas políticas publicas locais.
Num segundo momento foi possível observar a diversidade e as belezas da Natureza nessa região, além de visualizar também uma parcela do o potencial turístico e energético da mesma através da visita feita a usina hidrelétrica de Itaipu em território Brasileiro, e ao Parque do Iguazú, em território argentino, complementando assim a prática da disciplina de Biogeografia , unindo esta a teoria já estudada em classe.
A TRÍPLICE FRONTEIRA:
A experiência do trabalho de campo nos permitiu conhecer e estudar a região de fronteira observando a construção de do espaço suas diferentes e complexas características,a fronteira como o lugar da diversidade e da integração em seus diferentes contextos, sobre estes apontaremos aqui alguns dos principais fatores que contribuem para a importância desta região
O Brasil possui um total de nove fronteiras, além desta mencionada, entretanto a tríplice fronteira, termo que passa a ser usado para definir a confluência entre Brasil, Paraguai e Uruguai na década de 1990, alcança maior destaque dentre as outras em razão da diversidade das atividades econômicas, do grande fluxo de pessoas, produtos e serviços.Como afirma Amaral apud Gomes (2008):
“O Brasil possui um total de nove tríplices fronteiras, porém, a fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina é, de todas a mais notória, pois um dos fatores que a diferencia das demais é a presença de três cidades de porte médio e o fluxo intensivo de pessoas devido às atrações turísticas e comerciais presentes na região.”(GOMES,2008, pg.76)
Fazem parte de integração tríplice fronteira as cidades de Foz do Iguaçu, Ciudad Del Leste, e Puerto Iguaçu que por sua vez permanecem social e economicamente integradas, de forma que é quase imperceptível a existência de limites territoriais nesta região.Toda essa integração é resulta de que projetos e políticas públicas para a isenção de tarifas e o livre comércio entre os países da America do sul, estruturadas, e incentivadas a partir da década de 90.
Essas três cidades estão interligadas por uma estrutura de pontes, Foz do Iguaçu a Ciudad del Este através da Ponte Presidente Alfredo, mais conhecida como Ponte da Amizade, e Puerto Iguazú se liga a foz pela Ponte Tancredo Neves, ou Ponte da Fraternidade. Entretanto quando estudadas mais diretamente, entende-se que a relação entre essas cidades na realidade é de unificação, os fluxos constantes de pessoas , as migrações pendulares diárias a trabalho, fazem com que as três cidades se transformem em um grande e único complexo urbano, como a firma Lima apud Gomes (2008):
O complexo urbano formado na Tríplice Fronteira forma praticamente uma só cidade. A integração faz parte do dia-a-dia das pessoas de tal forma que parece não haver fronteiras. A migração pendular faz com que pessoas se deslocam de um lugar a outro como se estivessem indo e vindo de bairros vizinhos. Brasileiros que residem em Foz do Iguaçu e argentinos de Puerto Iguazú, trabalham em Ciudad del Este, indo e vindo de forma habitual e permanente. Da mesma forma, paraguaios e argentinos trabalham em Foz do Iguaçu e assim as pessoas transitam, trabalham, e vivem, bastando apenas portar o documento de identidade. (LIMA, 2005).
Apesar do termo e das atividades turísticas e comerciais que integra as três cidades, a região da tríplice fronteira apresenta grandes diferenças étnicas, culturais, econômicas e sociais que podem ser observadas ao mínimo contato com a região de estudo. As línguas e dialetos falados, são diversos o que torna a comunicação muitas vezes confusa, mas apenas para as pessoas não residentes, pois para a população local os dialetos aparentam ser facilmente interpretados.
Essa grande diversidade cultural ganha maior destaque nas proximidades do comércio,onde podem ser observadas de maneira mais direta,em meio às atividades comerciais. No microcentro de Ciudad Del Leste, por exemplo é possível encontrar pessoas das mais diversas nacionalidades, que freqüentam as áreas atraídas pelas atividades comerciais e turísticas, pelos baixos preços das mercadorias e mesmo com o objetivo de não pagar tarifas e impostos sobre as mesmas.
A realidade social da população que vive nesta região, também se faz perceptível na observação das ruas e das atividades econômicas locais, refletem as características e dificuldades enfrentadas diariamente por esse povo. Durante todo a trajeto pela região da fronteira, na ponte e no comércio é possível encontrar em grande quantidade e em toda parte trabalhadores informais, pessoas oferecendo seus serviços, ambulantes crianças nas ruas desenvolvendo trabalhos como adultos, muitas destas crianças por necessidade trabalham até mesmo ajudando a família no campo.
O trabalho e a violência infantil é um dos principais problemas dessa região, visto que cria um grande índice de evasão escolar,e contribui para a manutenção ao longo dos tempos da pobreza desemprego e miséria dessa população, essas crianças que fora da escola ficam a margem da sociedade, como alvos fáceis do trafico de drogas, da violência e da prostituição infantil.
Dentre outros agravantes a região apresenta autos índices de violência de forma geral, grandes problemas com relação ao tráfico de drogas, infra-estrutura de água e esgoto, a maior parte destes problemas é atribuído ao grande fluxo de pessoas e mercadorias assim como a falta de fiscalização nesta região o que facilita a ação do crime organizado, de contrabando de produtos e mercadorias das mais diversas origens, assim como a ausência de políticas publicas de efeito.
Quanto à infra-estrutura e problemas com o meio ambiente a ausência de uma rede de tratamento de esgoto é fato predominante nas três cidades da fronteira, sendo que em Foz do Iguaçu nem a metade da área urbana é coberta pelos serviços, e em Ciudad Del Leste no Paraguai o serviço por sua vez nem chega a existir. Como afirma Gomes (2008):
Na Tríplice Fronteira pode ser destacada a poluição das águas e degradação do rio Paraná, no trecho compartilhado, causada pelos três países fronteiriços. A falta de planejamento no que se refere à ocupação de áreas protegidas, a falta de políticas públicas para infra-estrutura urbana em relação à rede de tratamento de esgotos e contaminação causada pelas atividades agropecuárias do entorno, são problemas existentes nas três cidades fronteiriças.Nas regiões urbanizadas, como é o caso da Tríplice Fronteira, o uso intensivo dos recursos hídricos superficiais e o lançamento de efluentes nos rios têm gerado a perda da qualidade e escassez de água. (GOMES, 2008, pg. 162)
Como podemos verificar a muito a ser feito pela melhoria na qualidade de vida e infra-estrutura locais, nos diferentes dos da fronteira, o que falta na realidade é uma política em favor da integração social e de infra-estrutura, que de acordo com o que podemos observar deixa muito a desejar, uma maior preocupação por parte das políticas publicas em melhorar a infra-estrutura local, como também a qualidade de vida dessa população que reside nesta região e que depende dessa integração econômica para sobreviver.
A CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU:
A cidade de Foz do Iguaçu, está localizada, no extremo oeste do terceiro planalto paranaense, faz fronteira com o Paraguai e Argentina com latitude sul 25º 32’ 45” e longitude oeste 54º 35’ 07”.
O processo de colonização da cidade foi intensificando a partir de 1973 quando devido à construção da hidrelétrica de Itaipu grande quantidade de pessoas foi atraída para a região, migrando em busca de trabalho, o município possui hoje uma população com cerca de 311.000 habitantes IBGE (2007), considerando que o tratado de Itaipu foi o fator determinante para tal crescimento populacional e desenvolvimento.
A região de Foz do Iguaçu foi alvo de políticas de povoamento do oeste paranaense por muitos anos , mas foi a partir da dec. de 70, que a efetiva ocupação da região começou a se estabelecer, devido ao inicio da construção da usina de Itaipu. Como descreve Roseira:
O discurso regional sempre foi muito presente na realidade do Oeste Paranaense desde as primeiras tentativas de ocupação até a forte modernização agrícola culminando em um crescimento urbano acelerado. Tanto por discursos nacionais quanto locais, a região estaria fadada a exercer um importante papel à soberania brasileira e ao desenvolvimento econômico do Paraná. (ROSEIRA, 2006,pg. 66)
Hoje Foz do Iguaçu tem como principal atividade econômica o turismo, sendo classificado ,como o quinto lugar nos destinos turísticos mais visitados do país e este também vêm a ser a primeira fonte de renda dos trabalhadores residentes na cidade.
Ainda de acordo com o autor a influência da construção da usina não se refletiu apenas no crescimento populacional, e na infra-estrutura urbana da cidade, mas sim diretamente em toda a estrutura econômica local, bem como na oferta de bens e serviços, na concentração de mão de obra não qualificada, fazendo com que entre outros fatores a cidade se tornasse grande fornecedora de material de construção, e que apos o término das obras fosse grande a demanda de trabalhadores desempregados,os quais não restavam outra alternativa a não ser sobreviver através do comercio informal que se estabeleceu e permanece até hoje em toda a região da tríplice fronteira.
A atividade turística na cidade se concentra principalmente em dois pontos, sendo a principal e mais visitado deles O Parque Nacional do Iguaçu, e em segunda estância a Usina Hidrelétrica de Itaipu, entretanto esse fluxo turístico não se concentra apenas nas belezas das cataratas do Iguaçu ou na visitação da hidrelétrica, além destes dois seguimentos a cidade desenvolve em concomitância o turismo de compras que concentra seu maior fluxo na cidade vizinha já citada Ciudad Del Este:
A força e o volume de suas atividades turísticas aliada aos efeitos nacionais e internacionais do seu comércio ilegal com Ciudad Del Este a colocam, no início do século XXI, entre as mais importantes cidades de fronteira na América do Sul. (Roseira, 2006,pg.86)
O turismo de compras apesar de não ser uma atividade própria da cidade, contribui muito para a economia local principalmente para a geração de empregos pois muitos brasileiros moradores de Foz do Iguaçu trabalham ou desempenham alguma atividade comercial em Ciudad Del Este, assim como os visitantes da cidade vizinha movimentam o setor de hotelaria e transporte de em Foz do Iguaçu.
Assim como os demais municípios da região da fronteira, apesar da imagem de desenvolvimento e prosperidade que conquistou Foz do Iguaçu no decorrer dos anos, muito devido também ao processo de modernização gerado pela construção da usina, a cidade hoje apresenta vários outros problemas a nível de violência, saneamento básico, infra-estrutura.
Devido à rapidez da expansão urbana na cidade o planejamento urbano existente não conseguiu organizar toda essa população, resultando em muitas áreas de ocupação irregular a margem de rios, além do que o conseqüente desemprego após o termino da construção da usina, contribuiu ainda mais para agravar a situação, aumentando a “favelização” de varias áreas. Não havendo nenhum incentivo por parte das autoridades publicas, um sistema de rede esgoto insuficiente torna critica a situação dos rios do município, conforme afirma Gomes (2008):
Diante disto, os rios da área urbana de Foz do Iguaçu encontram-se muito poluídos, pois além da degradação devido às ocupações irregulares à margem dos mesmos, despejos clandestinos são responsáveis por boa parte da poluição dos afluentes do rio Paraná, que cortam o município. (GOMES, 2008,pg.117)
Ainda segundo a autora esta situação é muito comum e não se limita apenas a população de baixa renda visto que, muitos estabelecimentos comerciais, pagam pela retirada dos resíduos, que muitas vezes não chegam ao seu destino correto, pois os próprios coletores acabam depositando tais resíduos nos rios.
Nos arredores da cidade há áreas de depósito de lixo não controlado e em áreas publicas, e a cidade não possui uma rede de escoamento eficaz.
Estes e outros problemas podem ser apontados como citações que contribuem para o baixo nível de qualidade de vida desta população assim como fator negativo, para a imagem turística da cidade, apesar de tudo a cidade se mantém como sendo a cidade rede e a maior da região da fronteira a que concentra a maior parte dos serviços, desempenhado função de polarizadora entre as demais.
A CIUDAD DEL ESTE:
Fazendo parte do território paraguaio, Ciudad Del Este pode ser classificada como uma cidade comercial, pois foi a partir desta atividade que conquistou crescimento e importância em um espaço de tempo relativamente curto, com um contingente populacional de cerca de 220.000 habitantes sendo estes das mais diferentes nacionalidades, é a segunda cidade em importância para o país, a primeira Assunção que é a atual capital.
A cidade está localizada no extremo oeste do Paraguai, logo adiante de Foz do Iguaçu, estando separada desta apenas pelo curso do rio Paraná.De acordo com Rabossi (2004) esta localização estratégica não é por acaso,a fundação e localização da cidade, segundo ele está diretamente relacionada a cidade de Foz do Iguaçu, as atividades nela desenvolvidas,e principalmente e seu fluxo de turistas e dinâmica econômica.
“A primeira característica chamativa de Cidade Del Leste é sua própria localização, cidade de fronteira, localizada no limite oriental do Paraguai, o desenvolvimento de seu comercio esta associado a compradores que vem de outros países, principalmente do Brasil.” (RABOSSI, 2004, pg.9)
Ainda segundo o mesmo autor, a cidade não é favorecida apenas pela localização estratégica como afirma:
“Sua peculiaridade está vinculada a sua incorporação em circuitos comerciais transnacionais que articulam dito espaço com distantes lugares de produção e com centros comerciais localizados noutras partes do mundo, e por onde fluem pessoas de diversas origens e mercadorias das mais variadas procedências. Isto por sua vez, permitiu ampliar as vantagens obtidas do outro lado do limite internacional, para além do horizonte dos habitantes da fronteira, expandindo- se através de inúmeros circuitos comerciais por todo o Brasil e outras partes da América latina.” (RABOSSI, 2004, pg.10)
Em outras palavras, Ciudad Del Este é hoje o maior centro de comércio livre da América Latina, uma verdadeira zona franca de produtos dos mais variados gêneros, com inúmeras lojas de eletroeletrônicos, utensílios roupas, bebidas, produtos geralmente provenientes do Mundo Asiático.
Outro fator característico desse turismo de compras desenvolvido ao longo dos anos, é ilegalidade presente e a ausência de fiscalização eficiente, os baixos preços de produtos de alta tecnologia, além do que, deste lado da fronteira também se encontram em atividade, serviços como cassinos, que são proibidos no Brasil, fatores que somados, sem duvida exercem um poder atrativo muito grande nas pessoas, “turistas” de outras localidades, que vêem em Ciudad Del Leste um lugar de grandes oportunidades únicas.
Como comentado em momento anterior o fluxo permanente de pessoas e mercadorias, principalmente de origem ilegal contribui para o desenvolvimento de diversos outros problemas nesta região de fronteira, sobretudo na Ciudad Del Este, devido a este movimento intenso e a diversidade de atividades.
Quando observadas as estruturas da cidade, é muito característica a imagem de constante desordem ou de um “caos organizado”, as ruas e as atividades comerciais se estabelecem em um ambiente que para nós Brasileiros, pode ser considerado como inadequado, confuso ou desordenado como descreve perfeitamente Roseira (2006):
A qualquer hora do dia ou da noite a turista que resolver atravessar a Ponte da Amizade se deparará com um cenário desolador.Lixo por todos os lados (papel, sacos plásticos, lata de cerveja de refrigerante, caixas e sujeiras em geral) causa uma sensação de abandono e descontrole.Indica a pobreza que sobrevive nos interstícios de toda a movimentação comercial que flui entre as duas cidades (ROSEIRA,2006,pg. 130)
A sujeira do lugar torna explicito a diversidade de problemas que a cidade tem, principalmente com relação às atividades de contrabandos e falsificação de mercadorias dos mais variados tipos, a falta de saneamento básico, a pobreza aparente deixa clara a necessidade de implementar políticas publicas e programas sociais, para a melhoria na da qualidade de vida dessa população.
No entanto foi a partir deste mecanismo comercial que a cidade conquistou seu espaço, sendo responsável hoje por grande porcentagem da atividade econômica do país, além do que a venda de parte da energia elétrica produzida pela Itaipu Binacional para o Brasil, também contribui para a crescente importância da cidade no Paraguai.
A CIDADE DE PUERTO IGUAZÚ:
Puerto Iguazú é uma pequena cidade, de pouco vigor econômico pertencente à província de Missiones em território argentino, província esta localizada na região nordeste da Argentina.
Fundada na década de 80, hoje tem mais de 32.000 habitantes, sendo a menor e menos populosa entre as cidades do aglomerado urbano da Tríplice Fronteira, como as demais cidades da região, teve ser crescimento impulsionado pela atividade comercial e turística.
A cidade está ligada a Foz do Iguaçu pela ponte da Fraternidade (Ponte Tancredo Neves) sendo também a partir desta a principal ligação com o fluxo de mercadorias e serviços locais.
Tem como atividade turística também as cataratas do Iguaçu, o lado argentino se denomina Parque Nacional Del Iguazú, o qual tivemos a oportunidade de conhecer e comentaremos num segundo momento deste trabalho.
Os principais problemas ambientais de Puerto Iguazú de acordo com Gomes (2008) estão ligados ao desmatamento a erosão das margens dos rios e a preservação da fauna local, problemas esses comuns também as outras cidades da região da fronteira. Assim como a falta de infra-estrutura, energia elétrica, rede esgoto, e políticas públicas que contemplem esses problemas, que aumentam proporcionalmente ao crescimento urbano :
Apesar do crescimento populacional, os investimentos em infra-estrutura não aumentaram em mesma proporção, levando o município a uma situação de deterioração ambiental, principalmente em relação a seus rios que recebem uma carga cada vez maior de poluição. Atualmente, o município apresenta deficiências em vários aspectos, como pobreza, falta de investimento em infra-estrutura, em serviços públicos e ineficiência da administração municipal em aplicar as medidas legais e sócio-ambientais que venham ao encontro das necessidades da população local.(Gomes,2008,pg.137)
A cidade de Puerto Iguazú tem crescido mas a falta de investimentos,e acumula problemas sem propostas de solução, o que não contribui para o seu avanço nos mais diferentes aspectos.
O USO DO TERRITÓRIO NA TRÍPLICE FRONTEIRA:
A área de fronteira estudada nos remete a inúmeras reflexões sobre como a atividade humana capaz de remodelar um espaço de acordo com os seus interesses, assim como de acordo com o seu próprio modo de vida. Em um contexto geral sem a visão geográfica poderíamos classificar a região da tríplice fronteira como uma área livre, aberta a comercialização e de produtos e a atividades das mais diferentes instancias, onde não há limites territoriais e mesmo as leis não se fazem valer. Entretanto a partir de um olhar mais próximo, podemos evidenciar mais do que isso, a forma como esse território, essa região fronteiriça foi apropriada e remodelada pelas pessoas que ali habitam, pelas relações sociais que alise estabeleceram e sobre tudo a partir da infra-estrutura local que foi criada.
O uso do território pode ser definido pela implantação de infra estrutura, para as quais estamos igualmente utilizando a denominação Sistemas de engenharia, mas também pelo dinamismo da economia e da sociedade.São os movimentos da população,a distribuição da agricultura, da indústria, e dos serviços, a arcabouço normativo, incluídas a legislação civil, fiscal e financeira que juntamente como o alcance da extensão da cidadania, configuram as funções do novo espaço geográfico. (Santos, 2004, pg. 21)
Neste sentido podemos afirmar que a estrutura local da região da fronteira foi e continua sendo apropriada e modificada, mais pelas relações sociais do que pela infra-estrutura,que esta segunda se desenvolve de para suprir as necessidades criadas pelas relações sociais.
Mas que no entanto a conquista dessa fluidez na estrutura territorial dessa região se iniciou a partir das políticas de povoamento da cidade de Foz do Iguaçu, conseguindo alcançar sucesso com a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, como afirma Santos (2004):
Uma das características do período histórico é, em toda parte a necessidade de criar condições para maior circulação dos homens, dos produtos, das mercadorias, do dinheiro, da informação, das ordens.Os países, distinguem – se alias, em função das possibilidades abertas a essa fluidez.Por isso um dos capítulos mais comuns todos eles é a produção do equipamento, isso é da criação ou aperfeiçoamento dos sistemas de engenharia que facilitam a movimento. (Santos, 2004, pg.261)
Ainda de acordo com o autor a o estado pode contribuir para a criação deste espaço através da implantação de políticas de “abertura” ao comercio exterior, neste caso a cidade Brasileira fora mais uma vez beneficiada com através das políticas publicas estabelecidas . Todos estes critérios contribuíram para a construção de um espaço, com a capacidade de Foz do Iguaçu,como afirma Roseira:
Em Foz do Iguaçu, a posição de cidade-rede é posta por seu importante papel na circulação envolvendo pessoas e mercadorias, legais e ilegais, resultado do comércio local e das relações econômicas entre países do Cone Sul.[...] A circulação que envolve Foz do Iguaçu e a Tríplice Fronteira só é possível pelos elementos que compõem sua realidade local. Toda estrutura que envolve o turismo nas Cataratas do Iguaçu e na Hidrelétrica de Itaipu, associada ao comércio em Ciudad Del Este - hotéis, restaurantes, meios de transportes, comércio, etc. - constitui um conjunto de elementos que justificam a circulação.(Roseira, 2006, pg.137)
Não apenas a Cidade de Foz do Iguaçu, mas toda essa região da tríplice fronteira com toda a sua dinâmica econômica, expressa o que podemos classificar como a fluidez do território Santos (2004) e tem em seu contexto de formação e sua historia, a estratégia ligada a criação de infra-estrutura e de circulação de produtos e serviços.
Foi assim também com Ciudad del Leste com o planejamento de localização estratégica já comentada, e a busca pela integração com as atividades turísticas brasileiras e argentinas, tal estratégia favoreceu também para que em tão pouco tempo esta cidade consolidasse a sua importância principalmente na economia do Paraguai.
O fluxo constante de veículos, pessoas e mercadorias tornam perceptível a fluidez efetiva deste território articulado pelas atividades econômicas locais, a integração entre as três cidades que formam juntas um verdadeiro aglomerado urbano, a partir do qual não se pode mais definir fronteias e limites,tais fatores caracterizam o uso e as formas territoriais desta região.
Podemos portanto afirmar que essa região vem sendo reorganizada e apropriada pelas relações econômicas capitalistas, e pelo meio técnico cientifica informacional. Essa região que para nós pode se apresentar de forma confusa e desorganizada, na realidade foi se organizando pelas relações comerciais e turísticas ali estabelecidas, se tornando cada vez mais um território fluido e “organizado” à medida que conquista seu espaço no comercio nacional e internacional.
TRAJETO PERCORRIDO NAS RUAS DE FOZ DO IGUAÇU:
A pesquisa de campo no município de Foz do Iguaçu, foi assim estruturada e dividida, cada grupo com seu respectivo quadrante de ruas, conforme figura abaixo totalizando 9 grupos. Sendo o nosso grupo o responsável pelo percurso do nono quadrante do respectivo mapa, neste tópico descreveremos os pontos percorridos com o objetivo de entendermos de forma empírica, a organização do espaço na área central da Cidade de Foz do Iguaçu.
Figura 5 – Fonte Lucélia Ignácio – Lixeira do Hotel de alto padrão. (Iguaçu Plaza Hotel)
Figura 9 – Fonte: Lucélia Ignácio – Rua Alm. Barroso retornamos as calçadas mais “sofisticadas”, mas ainda sem lixeiras, sem arborização, e desprovida de bueiros.
Análise do Percurso: a análise do percurso nos permite concluir que apesar de estar em uma região de área central, a ausência de estruturas básicas e necessárias como lixeiras e bueiros caracteriza os problemas comentados durante todo o trabalho sobre a infra-estrutura da cidade de Foz do Iguaçu. Algumas das atividades comerciais mais importantes da cidade se concentram nesta área que pode ser classificada como hoteleira, sendo que alguns destes hotéis até influenciam na estrutura e aparência da cidade, como foi possível verificar no primeiro hotel do percurso que é de alto padrão (Iguaçu Plaza Hotel) no entanto ao simples ato de dobrar a esquina toda falta de estrutura se revela, pois nas ruas que não são principais, e não possuem grandes hotéis a infra-estrutura observada no contexto geral deixa muito a desejar.
Biogeografia:
O segundo dia de trabalho foi destinado à disciplina de Biogeografia, a visitação de pontos turísticos pertencentes a assa região, tais como a Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu, e o parque Nacional do Iguazú no lado Argentino.
USINA HIDRELÉTRICA DE ITAIPU
É difícil escrever sobre Itaipu sem mencionar exageros e entrar no campo das comparações exorbitantes, afinal, estamos falando da maior usina hidroelétrica em produção de energia, afinal, foi usado em sua obra concreto suficiente para construir duzentos e dez estádios como o do Maracanã, a quantidade de ferro é a equivalente a de trezentas e oitenta torres Eiffel, e a sua construção foi resultado do esforço de quarenta mil pessoas que trabalharam diretamente com a obra.
Fonte : Lucélia Ignácio - Barragem
A barragem tem o comprimento total de
Para efeito de comparação, se toda a água das cataratas do Iguaçu fosse utilizada para produzir energia, essa conseguiria atender somente a duas turbinas, Itaipu tem vinte, das quais dezoito ficam em operação e duas ficam em manutenção, revezando-se nesse processo. Os números em produção de energia são exorbitantes, e a expectativa é grande para a Usina produzir pela primeira vez os cem mil GWh. No que se diz respeito ao meio ambiente, em uma operação denominada Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer “pega-bicho”), durante a formação do reservatório, equipes do setor ambiental de Itaipu esforçaram-se em percorrer a maior parte da área que seria alagada para salvar centenas de exemplares de espécies de animais da região.
Fonte : Lucélia Ignácio - Reservatório
O fato de o reservatório de Itaipu ter
Como compensação, Itaipu paga royalties a esses municípios, proporcionalmente à área de terra alagada. Desde
O ônibus com os alunos da geografia teve de ficar no estacionamento da Hidroelétrica, pois seguiríamos o caminho com ônibus panorâmicos de 2 pisos e guia, que dava informações em Português, Inglês e Espanhol. Antes disso, assitimos um vídeo sobre a usina, de onde foram retiradas diversas informações que compõem este texto.
Também ficamos facinados com o painel que mostrava as diferentes nacionalidades dos visitantes, países cuja população não utrapassa sequer os cem mil habitantes já tiveram um de seus patríos visitando Itaipu. Não bastasse o frison diante da visão da barragem, ficamos maravilhados com o fato de o vertedouro estar aberto, é impressionante o fato de uma obra construída pelas mãos dos homens estar fazendo garoar no mirante, a centenas de metros, simplesmente majestoso!
VIDEO VERTEDOURO
Fonte - Lucélia Ignácio O nome de Itaipu significa “Pedra que Canta”, e também foi uma forma de homengear uma ilha que exisita nas proximidades da barragem, antes de ser cucumbida pelas águas.
Durante o trajeto também nos chamou a atenção as árvores plantadas pelos empregados com bastante tempo de casa, a obra em metal de forma humana, homenagem aos trabalhadores que tanto se dedicaram a essa que é considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno.
Falando nos homens, é espantoso como como a usina transformou a vida desses, antes do começo das contruções da usina hidroelétrica de Itaipu a população de Foz do Iguaçu era de 20 mil habitantes, tinha apenas duas ruas asfaltadas, após dez anos a população já tinha saltado para mais de cem mil habitantes.
A primeira tarefa foi alterar o curso do rio Paraná, removendo 55 milhões de metros cúbicos de terra e rocha para escavar um desvio de
Fonte : Lucélia Ignácio - Vertedouro
PARQUE NACIONAL DO IGUAZÚ (ARGENTINA)
O Parque Nacional do Iguazú foi criado na argentina no ano de 1934 com o objetivo de conservar as Cataratas do Iguaçu, assim como toda a biodiversidade que o rodeia. Com uma área de
As Cataratas se encontram no Rio Iguaçu, quie tem uma longitude total de mil duzentos e trinta quilômetros, o interessante é que as cataratas são há apenas
Em 1542, Cabeza de Vaca comandava um grupo de espanhóis que vinha explorando a região, habitada pelos índios Caiagangue e Tupi-Guarani, rumo à então colônia de Assunção. Dentre inúmeros obstáculos enfrentados durante a viagem, ao descer o rio de canoa à procura de uma rota para Assunção, no Paraguai, o desbravador só teve tempo de gritar "Santa Maria, que beleza!", ao avistar pela primeira vez as cataratas. Assim, com sorte e habilidade para escapar da terrível armadilha do rio, Cabeza de Vaca entrou para a História por seu feito e por sua frase célebre. Ele foi o primeiro branco, cristão e nobre a registrar as Cataratas do Iguaçu. Mas, ao encontrar o abismo de água, batizou-as de Saltos de Santa Maria. Mais tarde elas se tornaram conhecidas pelo nome definitivo, Cataratas do Iguaçu. YGUAZÚ, para os índios guaranis que havia cerca de 2 mil anos habitavam a região, significa "água grande".
Fonte : Lucélia Ignácio - Cataratas (Argentina)
ECOMUSEU
Após a entusiasmante visista a usina de Itaipu, o grupo visita o Ecomuseu, vinculado à Usina, somos recebidos pelo guia que esclare, levando em conta o tempo corrido, a importância de se registrar a história da fauna e flora e também do próprio homem antes do advento da Usina e da cidade de Foz do Iguaçu, um aquário com várias espécies de peixes típicos da região é uma das primeiras atrações, que nos chama a atenção por ser uma atração viva, num local onde se costuma encontrar exemplares mortos.
O cuidado em mostrar a cerâmica indígena também é digno de nota, mas em meio a ponta de flechas, vasos, e demias objetos o que mais chama a atenção é a urna funerária, semelhante a um grande caldeirão de barro, onde o índio é colocado com restos de alimento quando morto, na posição fetal, como veio a vida, para viajar para o mundo dos mortos, imagem incomum que nos leva a reflexão.
As maquetes que mostram o antes e depois da barragem de Itaipu são muito didáticas, e mostram como o começo do lago de Itaipu coincide com o local das Sete Quedas, outra famosa queda d’água que desapareceu após a construção da usina.
Para o nosso grupo, que não teve a oportunidade de conhecer o interior da usina, também foi de grande valia a representação da turbina de Itaipu, com direito a até mesmo o barulho de tal equipamento. A recriação sonora também foi uma constante em vitrines temáticas, que mostravam como era a região em determinados períodos históricos, isso nos remete a biogeografia local. E claro, a exposição de animais empalhados, com centenas de exemplares, de mamíferos a insetos, a atração mais comum de um ecomuseu.
Na saída, diante de tantas criações da natureza, destaque para duas humanas, a parede de um trabalhador que ajudou a construir a usina, com diversos desenhos a mão, e um enorme caminhão de pedreira, o único que ficou por aqui depois da conclusão da obra, para que ninguém se esqueça do esforço incomum em concretizá-la.
Fonte : Lucélia Ignácio - Ecomuseu
Conclusão:
Durante o trabalho foi possível observar a diversidade cultural e econômica e social da região as relações comerciais nesta área exercem um papel muito importante, tanto Foz do Iguaçu para o Brasil como Ciudad del Leste para o Paraguai, são cidades de grande importância econômica onde as relações que se estabelecem refletem a nível nacional e internacional o seu papel econômico.
A integração entre tais cidades gera renda para as pessoas que moram nesta região de fronteira, o turismo seja ele de lazer ou de compras também exerce um papel econômico muito importante. Essa integração entre países no entanto deixa a desejar no sentido de fazer valer as leis e legislações ambientais, e essa é uma característica presente nos três países.
A mesma integração que ajuda no setor econômico, partilhando turistas e mercadorias também, gera pobreza, desigualdade social, violência, problemas sociais e ambientais que por sua vez se desenvolvem na mesma intensidade que as atividades econômicas, que merecem mais atenção por parte das autoridades locais.
Há a necessidade que essa integração que já existe esteja mais voltada para a melhoria da infra-estrutura local, dos programas de saúde publica e de geração de renda para esta população que parte do lucro das atividades turísticas e comerciais possa ser revertida em beneficio da população e da infra-estrutura dos municípios, pois o lucro e o crescimento econômico não têm gerado melhorias para três cidades, o que é característico deste espaço que é cada vez mais apropriado pelas relações capitalistas, pelo lucro como principal objetivo e pelas desigualdades e problemas conseqüentes da mesma.
Toda a atividade turística desenvolvida nesta região também está voltada para a exploração das belezas naturais do potencial de geração de energia, priorizando sempre o lucro, e pouco preocupada com a preservação das espécies, dos rios e demais recursos naturais, o que também exige maior atenção e planejamento destas atividades, e integração no sentido de unir forças das três nações para preservar o patrimônio natural, criar iniciativas de evitar a sujeira e poluição dos rios locais, retribuindo a natureza ao menos uma pequena parcela dos valores econômicos que ela tem fornecido a esta população durante todos esses anos.
Referências:
CURITIBA. Parque nacional do Iguaçu: Caminho aberto para vida, rede nacional pró – unidades de conservação, rede verde de informações ambientais, 2002.
GOMES,C.Legislação Ambiental Do Mercosul e a Gestão De Recursos Hídricos Na Tríplice Fronteira.2008.Dissertação (Mestrado em Geografia).Universidade Federal do Paraná,Curitiba.
Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu.Disponível em:
RABOSSI, F. Nas ruas de Ciudad Del Este: vidas e vendas num mercado de fronteira. 2004. Tese (Doutorado em Antropologia) .Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
ROSEIRA, Antonio Marcos. Foz do Iguaçu: Cidade Rede Sul- Americana. 2006. 170p. Dissertação (Mestrado em Geografia). Universidade de São Paulo, São Paulo.
SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: Território e Sociedade no início do século XXI. 6a ed. Rio de Janeiro. Record. 2004.
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ResponderExcluirRelatório muito bom. Parabéns!
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