segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Grupo 1 - Geografia Matutino

Relatório de Campo: Visita Técnica as Cidades de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú
Alunos:
Alexandre F. F. Vieira
Carolina Kobayashi
Felipe Alfaya
Lucas A. Moreira
Thamy Gioia
Valéria Wolhlaupter

Data: 24 e 25 de outubro.

Roteiro:
Chegada em Foz do Iguaçu às 8 hrs. do dia 24/10.
Ida a Ciudad del Este, por volta das 9 hrs. e retorno às 13 hrs.
Visita Técnica ao Ecomuseu e Usina Hidrelétrica de Itaipu entre às 15 e 18 hrs.
Noite livre.
Ida a Puerto Iguazú às 9 hrs. do dia 25/10.
Realização da Pesquisa em Campo na Cidade entre às 10 e 12 hrs.
Visita Técnica ao Parque Nacional do Iguazú, a partir das 14 hrs.
Retorno pra Foz do Iguaçu, por volta das 18 hrs.
Fechamento do Trabalho.

Introdução

As diferenças entre estes territórios são evidentes. É claro que uma análise fiel e concreta não pode basear-se apenas em referencias teóricos desprovidos da observação em campo e do estudo da perspectiva evolução histórica de cada local.
Como bem coloca Santos e Siqueira (2003) a de se considerar: [...] as características naturais herdadas até as modalidades de modificação da materialidade do meio geográfico, até as diferenças de densidades já mencionadas, a diversidade das heranças e das formas de impacto do presente, antes de se propor um esquema abrangente.”
Entretanto, tendo por base a nossa realidade, a realidade Brasil, buscar outras realidades em países fronteiriços é uma boa oportunidade para análises comparativas, além de uma oportunidade para compreensão de políticas públicas e da administração do poder público em outros territórios.
Para Santos e Siqueira (2003) o território é um nome político dado para o espaço de um País, o território usado, portanto, sinônimo de espaço geográfico.
Vale ressaltar a importância e o entendimento do que se refere a “territorialidade”, termo que refere-se à forma como o homem apropria-se de um território e torna a produzi-lo.
Cada periodização se caracteriza por extensões diversas de formas de uso, marcadas por manifestações particulares que estão interligadas e evoluem juntas. Obedece a princípios gerais, como a história de cada lugar, de suas feições regionais (SANTOS; SIQUEIRA, 2003).
As cidades visitadas, Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazu apresentam suas particularidades, pois seus territórios possuem evoluções de usos distintas.
Foz do Iguaçu, cidade pertencente ao Estado do Paraná, Brasil é mundialmente conhecida por ter inserida em seu território uma das mais belas formações naturais, as Cataratas do Iguaçu. E a partir desta característica natural, tem em suma atividade econômica, voltada para o turismo. Apresenta também outras atividades econômicas. Algumas desenvolvidas pelo turismo direto e outras indiretamente ligadas.
Além das Cataratas, está localizada em Foz do Iguaçu a hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em produção de energia. Um empreendimento desenvolvido pelo Brasil e pelo Paraguai, no Rio Paraná.
Esta atividade além de ser mais um atrativo turístico, eleva a importância não só da Cidade no contexto Nacional, mais do País, no contexto internacional. Colabora para o desenvolvimento local e o desenvolvimento de empregos voltados para áreas técnicas mais específicas.
Já em território Argentino, em Puerto Iguazú, observa-se o desenvolvimento de uma pequena cidade voltada unicamente para o turismo, também proveniente das Cataratas do Iguaçu. Verificou-se em campo a diferença de tratamentos da população local com pessoas vindas de outros lugares, para turismo. A disponibilidade para negociações em restaurantes e outras atividades comerciais. A diferença de preços, que sobem para os turistas, uma forma de aperfeiçoar ainda mais os lucros advindos da atividade turística.
Em Ciudad del Este a exploração voltada para a comercialização de produtos é expressiva, como também os problemas da degradação provenientes destas atividades e também da falta de infra-estrutura. Lixo, esgoto a céu aberto, crianças trabalhando nas ruas.
Um território onde a circulação de pessoas de diversas regiões é constante e a “guerra” pela venda usa de armas como a da negociação, de mulheres que utilizam como atrativos a exposição do próprio corpo e a própria facilidade em adquirir produtos bem mais baratos. Isto é evidente nas lojas, nos camelôs, como com os taxistas.
Como coloca Santos e Siqueira (2003) o uso do território pode ser definido pela implantação de infra estrutura e pelo dinamismo da economia e da sociedade. De como se distribui suas atividades econômicas pelo território e do arcabouço normativo, incluindo as legislações civis e fiscais.
O que pôde ser percebido visitando estas diferentes cidades e observando as diferentes territorialidades é como o homem utiliza de seu território e de suas qualidades naturais (ou a falta delas) para se obter lucro. A exploração das condições físico-naturais como nos casos de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú ou do caso de Ciudad del Este pela exploração do comércio na tríplice fronteira e de todos os recursos possíveis, sejam eles justos ou injustos para tal.


Relatório Técnico: Foz do Iguaçu

1 - Localização
Foz do Iguaçu se localiza no extremo oeste do Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina (figuras 1 e 2) – apresentando como coordenadas aproximadas: latitude sul 25º 33’ e longitude oeste 54º 35’.

Figura 1: Localização de Foz do Iguaçu.
Fonte: http://www2.fozdoiguacu.pr.gov.br/


Figura 2: Imagem de Satélite da Região das Três Fronteiras.
Fonte: Google Earth.


A Cidade tem cerca de 320 mil habitantes, sendo caracterizada por sua diversidade cultural. São 80 nacionalidades das 192 nacionalidades existentes no mundo, sendo que as mais representativas são oriundas do Líbano, China, Paraguai e Argentina. Os diferentes grupos étnicos residentes na cidade fazem de Foz do Iguaçu uma das cidades mais cosmopolitas do Brasil.
A base da economia da cidade está no turismo, com destaque para o comércio e serviços. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), em 2006 e 2007, Foz do Iguaçu foi considerado no segmento "Lazer" o 2º destino mais visitado por turistas estrangeiros, atrás apenas do Rio de Janeiro.
Foz do Iguaçu ainda conta com uma infinidade de opções de passeios, de lazer, gastronomia e uma vida noturna bastante agitada.
Para a realização do trabalho o Grupo ficou hospedado no Hotel 15 de Julho em Foz do Iguaçu (figura 3), entre os dias 24 e 25 de outubro.

Figura 3: Localização da hospedagem do Grupo (Hotel 15 de Julho).

Fonte: Google Earth.


2 - Aspectos Físicos
Os dados, a seguir, foram obtidos junto ao site oficial da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu.
Área Urbana: 191,46 km2.
Área Rural: 138,17 km2.
Parque Nacional do Iguaçu: 138,60 km2.
Área do Lago Artificial de Itaipu: 149,10 km2.
Ilha Acaray: 0,38 km2.
Área Total: 617,71 km2.
Localização: Extremo oeste do Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina - latitude sul 25º32'45" e longitude oeste 54º35'07".
Limites: Ao norte com o município de Itaipulândia, ao sul com a Argentina, a leste com os municípios de Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu e a oeste com o Paraguai.
Clima: Subtropical úmido, com verões quentes, geadas poucos freqüentes e chuvas em todos os meses do ano.
Temperatura: A média anual em 2007 variou entre - 0,7 ºC (mínima) e 38,5 ºC (máxima), ficando em 22,5 ºC (Fonte: Ministério da Aeronáutica - 2007).
Altitude: Média de 192 metros acima do nível do mar.
Relevo:Apresenta encostas levemente onduladas, com solos de textura argilosa, de origem eruptiva, profundos e ricos em matéria orgânica.
Hidrografia: Nove microbacias hidrográficas, sendo sete delas circunscritas ao perímetro municipal. Principais rios: Paraná, Iguaçu, Tamanduá, São João, Almada, M'Boicy e Monjolo, dentre outros.
Arborização:Mata subtropical na região do Parque Nacional e floresta tropical de várzea nas margens dos rios.

3 - Aspectos Históricos
Pesquisas arqueológicas realizadas pela Universidade Federal do Paraná no espaço brasileiro do reservatório de Itaipu, antes de sua formação, situaram em 6.000 a.C. os vestígios da mais remota presença humana na região.
Em 1542, o espanhol Álvar Nuñez Cabeza de Vaca chegou ao rio Iguaçu e por ele seguiu guiado por índios Cainganges, atingindo as Cataratas, batizando o Paraguai e ficando o registro de que foi o "descobridor" das Cataratas.
Em 1881, Foz do Iguaçu recebeu seus dois primeiros habitantes, o brasileiro Pedro Martins da Silva e o espanhol Manuel Gonzáles. Pouco depois chegaram os irmãos Goycochéa, que começaram a explorar a erva-mate. Oito anos após, foi fundada a colônia militar na fronteira - marco do início da ocupação efetiva do lugar por brasileiros e do que viria a ser o município de Foz do Iguaçu.
Em 22 de novembro de 1889, o Tenente Antonio Batista da Costa Júnior e o Sargento José Maria de Brito fundaram a Colônia Militar, que tinha competência para distribuir terrenos a colonos interessados.
Nos primeiros anos do século XX, a população de Foz do Iguaçu chegou a aproximadamente 2.000 pessoas e o vilarejo dispunha de uma hospedaria, quatro mercearias, um rústico quartel militar, mesa de rendas e estação telegráfica, engenhos de açúcar e cachaça e uma agricultura de subsistência.
Em 1910, a Colônia Militar passou à condição de "Vila Iguassu", distrito do Município de Guarapuava. Dois anos depois, o Ministro da Guerra emancipou a Colônia, tornando-a um povoamento civil entregue aos cuidados do governo do Paraná, que criou então a Coletoria Estadual da Vila.
Em 14 de março de 1914, pela Lei 1383, foi criado o Município de Vila Iguaçu, instalado efetivamente no dia 10 de junho do mesmo ano, com a posse do primeiro prefeito, Jorge Schimmelpfeng, e da primeira Câmara de Vereadores. O município passou a denominar-se "Foz do Iguaçu", em 1918.
A história do Parque Nacional começa no ano de 1916, com a passagem por Foz do Iguaçu de Alberto Santos Dumont, o "Pai da Aviação", seu legítimo "fundador". Aquela área pertencia ao uruguaio Jesus Val. Santos Dumont intercedeu junto ao Presidente do Estado do Paraná, Affonso Alves de Camargo, para que fosse desapropriada e tornada patrimônio público, sendo declarada de utilidade pública no mesmo ano. Em 1939 foi criado o Parque Nacional do Iguaçu.
Com a inauguração da Ponte Internacional da Amizade (Brasil - Paraguai) em 1965 e inauguração da BR-277, ligando Foz do Iguaçu à Curitiba e ao litoral, em 1969, Foz do Iguaçu teve seu desenvolvimento acelerado, intensificando seu comércio, principalmente com a cidade paraguaia de Puerto Presidente Stroessner (atual Ciudad del Este).
A construção da Hidrelétrica de Itaipu (Brasil - Paraguai), iniciada na década de 70, causou fortes impactos em toda a região, aumentando consideravelmente o contingente populacional de Foz do Iguaçu. Em 1960, o município contava com 28.080 habitantes e, em 1970, com 33.970, passando a ter, em 1980, 136.320 habitantes e registrando um crescimento de 385%, estimando-se hoje uma população de 319.189 habitantes.

4 - O Turismo
Foz do Iguaçu representa um dos mais belos destinos turísticos do mundo. Possui riquezas naturais incomparáveis, como o Parque Nacional do Iguaçu, tombado como Patrimônio Natural da Humanidade e onde estão localizadas as Cataratas do Iguaçu.
Além das Cataratas, o Parque Nacional do Iguaçu dispõe de trilhas interpretativas e atividades de ecoaventura: rafting, rapel, escalada em rocha, arvorismo e passeios de barco em meio às quedas. É possível também sobrevoar as Cataratas de helicóptero.
Próximo ao Parque Nacional encontra-se o Parque das Aves, onde o visitante se depara com as mais diferentes espécies de aves em seus habitats naturais.
Outro ícone impulsiona o turismo local: Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo em produção de energia. Dentro do Complexo Turístico de Itaipu, há o Ecomuseu, o Refúgio Biológico Bela Vista, e também é possível assistir à Iluminação da Barragem.
A cidade dispõe ainda de atrativos culturais, com ênfase para a arquitetura religiosa, com a Igreja Matriz, o Templo Budista e a Mesquita Muçulmana. No aspecto arquitetônico, destacam-se ainda as Pontes Internacionais da Amizade, na divisa com o Paraguai e Tancredo Neves, divisa com a Argentina.
Há também o Marco das Três Fronteiras, divisa do Brasil com o Paraguai e a Argentina, podendo-se apreciar os três marcos simultaneamente, além do encontro dos rios Iguaçu e Paraná.
Além de todas essas alternativas, a cidade possui uma ampla rede hoteleira, sistema de transportes, gastronomia, serviços de apoio e locais para realização dos mais variados eventos.
A cidade é movimentando grande parte por turistas que vão ao Paraguai fazer compras ou aos parques disponíveis como as Cataratas do Iguaçu.
Foz é uma cidade que pode ser relativamente grande, com muitos edifícios, estabelecimentos comerciais, rede hoteleira, área gastronômica, e automóveis, mas sofre com a violência por ser uma cidade de fronteira, sofrendo com o tráfico, exploração sexual, assaltos, contrabando, etc.
4.1 - Visita Técnica ao Ecomuseu
O Ecomuseu é o primeiro museu do gênero da América Latina, inaugurado em 16 de outubro de 1987, numa área constituída de 1200 m2 (figura 4). É uma obra voltada especificamente para a ecologia da região. Seu objetivo é assegurar a pesquisa, preservação, conservação, interpretação e dinamização do conjunto de elementos naturais e culturais da região.
No museu, encontram-se diversas fotos das áreas que foram alagadas, réplicas ilustrando os primeiros moradores do local, objetos usados por operários, reproduções arqueológicas, espécimes de plantas e animais empalhados que se encontravam nas regiões alagadas, e uma sala onde se descreve como a usina funciona e o que se encontra nesse sistema. Ele também conta com vários guias especializados em cada parte para instruir os visitantes.
É repassado um pouco da história da Itaipú, desde seu projeto de construção, as etapas, até o resultado final. Havia também fragmentos de povos da região, maquetes, estátuas, quadros, enfim, cultura, história e arte (foto 1).
O circuito mostra desde a ocupação do oeste paranaense até os projetos de conservação ambiental conduzidos pela empresa, além de vários animais empalhados que são achados na região do Parque e da Hidrelétrica.
Ainda, é exposto ao público o funcionamento de uma turbina, em padrões quase reais (foto 2). Como também, maquetes da Usina Hidrelétrica, mostrando o seu dinamismo.

Figura 4: Localização do Ecomuseu.
Fonte: http://www.meucat.com/maps/mapa_satelite.php?COD=foz&NOME=Ecomuseu+Itaipu

Foto 1: Maquete da Construção da Usina.
Fonte: Lucas Augusto Moreira.

Foto 2: Turbina em Exposição no Ecomuseu.
Fonte: Lucas Augusto Moreira.


4.2 - Visita Técnica: Usina Hidrelétrica de Itaipu
A visita à Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional se iniciou no Ecomuseu criado para resgatar o que a usina hidrelétrica acabou destruindo. Em seguida fomos até a Usina de Itaipu, que disponibiliza diversos tipos de visitação para o público através de ônibus com guias especializados. A visita panorâmica na qual participamos inclui um vídeo institucional sobre a usina e depois uma passeio que nos dá uma visão panorâmica da usina, contemplando entre outros o mirante central de onde se observa a barragem e o vertedouro, e também um painel em azulejos que retrata cenas marcantes da época da construção de Itaipu, feito pelo artista paranaese Poty Lazzarotto. Ao longo de todo o percurso o guia foi nos informando sobre a história e as características da usina, que abrange dois países, Brasil e Paraguai.
A potencia instalada da Itaipu é de 14 mil megawatts (MW), com 20 unidades geradoras de 700 MW cada. A produção de apenas uma dessas unidades seria suficiente para atender todo o consumo de eletricidade de uma cidade de 2,5 milhões de residências.
Metade das 20 unidades geradoras de Itaipu produz em 50 Hertz (Hz), que é a freqüência utilizada no Paraguai, enquanto as outras dez geram em 60 Hz, freqüência do mercado brasileiro.
A energia de Itaipu é distribuída no Brasil por meio de Furnas. São cinco linhas de transmissão, três em corrente alternada (60 Hz) e duas em corrente continua. A energia percorre de 800 a 900 quilômetros de distancia, desde a usina até o Estado de São Paulo, aonde chega às subestações de Tijuco Preto e Ibiúna e, dali, entra no sistema interligado brasileiro.
A vazão máxima do vertedouro de Itaipu (62,2 mil metros cúbicos por segundo) corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu (foto 3). A vazão das duas turbinas de Itaipu (700 metros cúbicos de água por segundo cada uma) corresponde a toda vazão média das Cataratas (1.500 metros cúbicos por segundo). A altura da barragem principal (196 metros) equivale a um prédio de 65 andares (foto 4).
O Brasil teria de queimar 434 mil barris de petróleo por dia para obter em plantas termelétricas a mesma produção de energia de Itaipu. O volume de escavações de terra e rocha em Itaipu é 8,5 vezes superior ao do Eurotúnel (que liga França e Inglaterra sob o Canal da Mancha) e o volume de concreto é 15 vezes maior.

Foto 3: Vertedouro da Usina.

Fonte: Thamy Gioia.


Foto 4: Barragem da Usina.

Fonte: Thamy Gioia.


- Breve Histórico da Itaipu Binacional
A construção da usina de Itaipu é resultado de intensas negociações entre o Brasil e o Paraguai, iniciadas ainda na década de 60, que culminavam, em 26 de abril de 1973, com a assinatura do Tratado de Itaipu, instrumento legal para o aproveitamento do potencial hidráulico do Rio Paraná. Em maio de 1974 foi criada a empresa binacional Itaipu, para construir e, posteriormente, gerenciar a usina.
Técnicos percorrem o rio de barco em busca do ponto mais indicado para a construção da Itaipu Binacional. O local é escolhido após a realização de estudos com o apoio de uma balsa. No coração da América do Sul, brasileiros e paraguaios indicam um trecho do rio conhecido como Itaipu, que, em tupi, quer dizer "a pedra que canta".
A Itaipu Binacional passa a ser uma realidade irreversível, pois em 20 de outubro de 1978, 58 toneladas de dinamite explodem as duas ensecadeiras que protegiam a construção do novo curso.
O desvio tem 2 km de extensão, 150 metros de largura e 90 de profundidade. No mesmo dia, é assinado um contrato de US$ 800 milhões que garante a compra de turbinas e dos turbo-geradores. O novo canal permite que o trecho do leito original do rio seja secado, para ali ser construída a barragem principal, em concreto. O volume total de concreto utilizado na construção de Itaipu seria suficiente para construir 210 estádios de futebol como o do Maracanã, no Rio de Janeiro.
O ferro e aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel.O enchimento do reservatório interfere na vida de milhares de pessoas que habitam nas margens do Rio Paraná entre Foz do Iguaçu e Guaíra. Os moradores de Foz vêem o rio esvaziar a jusante da barragem, por causa do fechamento das comportas, enquanto Guaíra lamenta o alagamento das Sete Quedas.
O recorde de produção foi atingido em 2000, quando a Itaipu Binacional gerou 93,4 bilhões de quilowatts-hora. Em 2004, quando completou 20 anos de atividade, a usina já havia gerado energia suficiente para abastecer o mundo durante 36 dias.
Com a totalização do seu projeto, Itaipu Binacional supera em 4 mil megawatts a potência instalada da segunda maior hidrelétrica do mundo, a Usina de Guri, na Venezuela. O rendimento de Itaipu Binacional é excepcional, mesmo se comparado a usinas do futuro. A chinesa Três Gargantas terá uma geração da ordem de 85 bilhões de quilowatts-hora, 8,4 bilhões de quilowatts-hora a menos que a capacidade máxima já atingida por Itaipu Binacional.
Em Maio de 2007, mês em que Brasil e Paraguai celebram o 33º aniversário da assinatura do Tratado de Itaipu, entram em operação as últimas duas das 20 unidades geradoras previstas no projeto da usina. Com as 20 unidades geradoras em atividade e o Rio Paraná em condições favoráveis, com chuvas em níveis normais em toda a bacia, a geração poderá chegar a 100 bilhões de quilowatts-hora.

5 - A Violência
Foz do Iguaçu, apesar de tantos atrativos naturais como artificiais, é tida como a cidade mais violenta do Estado do Paraná e uma das mais violentas do Brasil, segundo estudos realizados, em 2008, pela RITLA (Rede de Informação Tecnológica Latino Americana).
Isto pode ser explicado por sua localização, já que fica em uma região de Tríplice Fronteira, onde há um comércio de mercadorias intenso e o contrabando de produtos ilegais é iminente.
Segundo ainda o relatório apresentado pela RITLA, a cidade apresentou, em 2006, a maior taxa média de homicídios entre a população jovem no Brasil.
Essa situação é um reflexo de inúmeros fatores, tais como: crianças e adolescentes que trabalham vendendo e transportando mercadorias contrabandeadas do Paraguai, fazendo programas e repassando drogas ou ainda sendo exploradas sexualmente em boates, pousadas, pequenos hotéis, bares, etc.
Por se tratar de uma região de fronteira, a polícia encontra uma maior dificuldade na investigação dos crimes, aumentando o grau de impunidade.


Relatório Técnico: Ciudad del Este

1 - Aspectos Gerais
Fundada em 1957, inicialmente recebeu o nome de Puerto Flor de Lís, e num segundo momento, de ditadura militar, Puerto Stroessner.
Localizada no extremo leste do Paraguai, a cidade é a segunda mais populosa do país, com uma população de aproximadamente 320 mil habitantes, ficando atrás apenas da capital Asúncion.
Ciudad del Este é sozinha a responsável por metade do PIB paraguaio, devido principalmente a zona franca de comércio ali existente, a terceira maior do mundo.
Além disso, a cidade conta com a renda gerada pela venda de energia ao Brasil pela Itaipu Binacional.


2 - Visita Técnica a Ciudad del Este
A ida à Ciudad del Este ocorreu no dia 24/10/09, em uma manhã de sábado. Antes da travessia da Ponte da Amizade (foto 5), podemos observar como o fluxo, tanto de pessoas como de carros, é intenso no local.
Os motoristas de vans, táxi, moto-taxi e ônibus, passavam com muita freqüência para atender à demanda de pessoas que preferem fazer a travessia de automóvel. O preço da passagem varia dependendo da hora do dia. Há também a possibilidade de percorrer a ponte a pé, sendo que muitos preferem esta opção.
Após embarcarmos em uma van, todos apertados, podemos ver o caos de trânsito local, sem falar das condições físicas dos automóveis, deteriorados, pútridos, com estofamento saindo espuma, lataria destruída e pneus furados, sem nenhum impedimento de tráfego ou fiscalização, carregando passageiros tranquilamente. Carros, motos, vans, táxis e ônibus brigam por espaço para transitarem pela ponte apertada, abarrotada de pessoas e automóveis, uns quase colidindo com outros de tão perto que passam. O trânsito não tem nenhuma organização ao menos no local observado. Após a louca travessia adentramos ao centro comercial da cidade (figura 5).

Foto 5: Ponte da Amizade.
Fonte: http://veja.abril.com.br/080498/p_044.html.

Figura 5: Centro Comercial de Ciudad Del Este, com a localização dos principais shoppings.
Fonte: Google Earth.


O primeiro aspecto que pode ser notado é a quantidade imensa de barracas, lojas, shoppings, mercadorias, carros e pessoas aglomerados por toda a área (foto 6).

Foto 6: Shoppings e Barracas disputando espaço.
Fonte: Thamy Gioia.


As ruas não dão conta de abrigar tudo, sendo o trânsito um verdadeiro caos com pessoas atravessando em qualquer lugar, carregando sacolas imensas, carros vindo por todas as direções, sem um trânsito organizado.
As calçadas normalmente são bem caóticas, onde lojas, barracas e pessoas disputam o mesmo lado da calçada. O comércio é extremamente intenso na região (foto 7).
Muitas lojas são mal organizadas, com atendimento ruim, devido á falta de educação dos funcionários e também da quantidade de clientes por atendente que é enorme. As lojas ficam lotadas de clientes.
Os produtos comercializados são diversos, envolvendo todos os setores e com preços até 1/3 menores que os encontrados no Brasil, e pode ser pedida a nota fiscal nas lojas boas, pois nas barracas isso não é possível, além de serem menos confiáveis.


Foto 7: Barracas à esquerda espremidas nas calçadas da cidade.

Fonte: Lucas Augusto Moreira.


Há vários shoppings como o Monalisa (o mais caro e luxuoso da cidade), com diversos produtos como perfumaria, eletrônicos, vinícolas, roupas e etc. Há também a casa China, Shopping Americana, Shopping Mini Índia, entre vários outros que se encontram a poucos metros de distância uns dos outros.
Infelizmente a chuva atrapalhou as compras, mas melhorou a aventura, já que eventos incomuns ocorreram: barracas tinham suas armações arrancadas pelo vento, lojas se enchendo de água, telhas se partindo, pessoas correndo, mercadorias caindo na correnteza que se formava nas ruas, lixo indo para as bocas de lobo, carregando mercadorias, restos de alimentos, papel, caixas, plásticos e tudo mais, em meio ao caos do trânsito. Fato piorado pela ausência de coleta seletiva.
Na volta, alguns retornaram de ônibus, outros de vans. Quem teve a oportunidade de voltar de ônibus pode perceber a quantidade de pessoas atravessando com as mercadorias, pensando em todas as possibilidades de burlar a fiscalização. As condições do transporte público mesmo sendo ônibus eram inacreditáveis. O cobrador era um homem que chamava as pessoas para entrarem no ônibus desesperadamente em busca de mais passageiros, quando se entrava havia a roleta, onde não era permitido rodá-la, sendo que se devia passar ao lado dela para não computar a entrada correta de passageiros. A coleta do dinheiro foi feita depois da roleta e ainda por cima a quantia era negociável, sendo a taxa de R$ 3,30, onde muitos pagavam R$3,00, R$ 3,10 e assim do jeito que o cobrador queria. Com certeza havia desvio de verbas. Além disso, a condição do ônibus era horrível, onde no meio do trajeto um pneu estourou e o motorista continuou a dirigir normalmente como se nada houvesse acontecido, o ônibus andando torto, mas seguindo em frente.
Na Aduana é feita a fiscalização das mercadorias que entram no Brasil, sendo que muitas vezes é necessário fazer a declaração dos produtos comprados. Porém, nem todos são pegos para isso, como no nosso caso, que passamos direto.
Com certeza aquela cidade pode ser considerada o “paraíso das compras”, pois o preço dos produtos é muito mais baixo, porém só isso, já que é uma cidade violenta, que traz com ela o tráfico de drogas, tráfico de mulheres, prostíbulos, armas, e tudo que é ilícito, ruim para a sociedade.


Relatório Técnico: Puerto Iguazú

1 - Localização
Puerto Iguazú é uma cidade da província de Misiones, Argentina. A cidade está localizada a 18 km da área das Cataratas do Iguaçu. A cidade faz parte da Tríplice Fronteira, que engloba também a cidade brasileira de Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná, e a cidade paraguaia de Cidade do Leste, do Departamento do Alto Paraná.
Puerto Iguazú está separada de suas cidades vizinhas pelo Rio Paraná (de Cidade do Leste) e pelo Rio Iguaçu (de Foz do Iguaçu). Puerto Iguazú conecta-se com Foz do Iguacú por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, que une as rodovias RN-12 e a BR-469.
O local do trabalho de campo imposto a nós refere-se ao número 1, da figura 6, abaixo, envolvendo as ruas: Romano, Fray Esquiu, Fray Luis Beltrain, M. Moreno, Curupi e Avenida Victória Aguirre.


Figura 6: Mapa de Puerto Iguazú.
Fonte: www.argentinaturistica.com


2 - Relatório Técnico: Cidade de Puerto Iguazú
O Trabalho investigou os seguintes quesitos: infra-estrutura sanitária, organização espacial e infra-estrutura viária.

2.1 - Infra-estrutura Sanitária:
- Presença de Lixo nas Ruas: foi observado durante todo o processo do trabalho, pouca existência de lixos nas ruas, sendo estes, na maioria dos casos, de origem doméstica (foto 8).
- Presença de Lixeiras: na Rua M. Moreno foi verificado a presença de lixeiras em, praticamente, todos os imóveis, enquanto que nas demais ruas estas eram mais escassas (foto 9).
- Presença de Poços: não foram visualizados poços.
- Existência de Rede Coletora de Esgotos: sim, em toda área investigada a rede coletora de esgoto se faz presente, inclusive no bairro se localiza uma estação de tratamento e distribuição de água e esgoto (foto 10).
- Presença de Hidrômetros nos lotes indicando a distribuição de água tratada; sistema de drenagem urbana - poços de visitas e sarjetas - e valas de esgoto, caracterizado pelo odor desagradável: não foi constatada a existência de hidrômetros, apesar de a rede de água e esgoto estar presente. Foi observada a presença de algumas galerias de esgoto (foto 11), porém nenhuma vala de esgoto foi encontrada.


Foto 8: Presença de Lixo na rua Fray Luis Beltrain.
Fonte: Lucas Augusto Moreira.

Foto 9: Presença de Lixeiras na rua M. Moreno.
Fonte: Lucas Augusto Moreira.

Foto 10: Estação de Tratamento de Água e Esgoto.
Fonte: Lucas Augusto Moreira.

Foto 11: Galeria de Esgoto.
Fonte: Lucas Augusto Moreira.


- Áreas Verdes - cobertura vegetal existente: a distribuição de áreas verdes foi constatada durante todo o trajeto percorrido, sendo que, de certa forma, até intensa em alguns locais e outrora apresentando apenas uma cobertura de poucas árvores (Foto 12).
- Impermeabilização do Solo - incidência da área impermeabilizada e níveis de infiltração: No caso da impermeabilização do solo, os níveis de infiltração variam bastante de um local para o outro. Nas ruas M. Moreno e Romano, as vias de paralelepípidos e as calçadas gramadas favorecem uma boa infiltração da água no solo. Já na Avenida Victória Aguirré, as vias e calçadas são todas de concreto, prejudicando, em muito, a permeabilidade da água no solo (Foto 13). Nas demais ruas, há trechos alternados de asfalto ou paralelepípidos com poucas áreas gramadas, dificultado a infiltração.

Foto 12: Arborização presente.
Fonte: Lucas Augusto Moreira.

Foto 13: Avenida Victória Aguirré.
Fonte: Lucas Augusto Moreira.


2.2 - Organização Espacial:
- Largura das Vias: M. Moreno, 10 m.; Romano, 5 m.; Fray Luis Beltrain, Fray Esquiu e Curupi, aprox. 12 m.; Avenida Victória Aguirré, duas vias de 7 m. cada.
- Largura e Tipo de Material das Calçadas: Com exceção da rua Romano que têm uma calçada de mais ou menos 1,2 m., todas as outras ruas têm calçadas de aproximadamente 2 m. Na rua M. Moreno são observadas calçadas de piso, concreto ou gramados (Foto 14), na Fray Luís Beltrain foi verificadas calçadas de concreto em más condições e mato, na Curupi e Fray Esquiu a maior parte de concreto e uma pequena presença de mato, na Avenida Victoria Aguirré praticamente tudo concretado e na Romano tem-se de um lado da via concreto e do outro mato.
- Presença de Meio-fio: Foi verificada a existência de meio-fio em todas as vias percorridas, apesar de em alguns trechos estes estarem cobertos por barro (Foto 15).
- Loteamentos Consolidados pela Prefeitura: Não foi possível obter nenhum tipo de documentação, mas pelo tipo dos lotes apresentados no local (chácaras, imóveis de padrão apreciável, etc.) pode-se estipular que o loteamento surgiu de iniciativa privada.
- Alinhamento Predial: não há em nenhum local percorrido um alinhamento predial.


Foto 14: Rua M. Moreno de paralelepípedos e calçadas gramadas.

Fonte: Lucas Augusto Moreira


Foto 15: Presença de barro na Rua Fray Luis Beltrain.
Fonte: Lucas Augusto Moreira


- Tipos de Edificações: M. Moreno, casas e sobrados de alvenaria; Fray Luis Beltrain, Fray Esquiu e Curupi, apenas casas de madeira ou alvenaria, muitas dessas destinadas a áreas de lazer (chácaras); Avenida Victória Aguirré, edifícios residências pequenos, estação de tratamento de água e algumas residências; Romano, se caracteriza por viela, poucas casas.

2.3 - Infra-estrura Viária:
- Presença de rodovias, caracterizada pelo porte de circulação de veículos e avenidas urbanas, caracterizada pelo fluxo e porte: a Rodovia mais próxima, Rota 12, estava aproximadamente a 1 km. do local; as ruas locais se caracterizam por ser vias locais de baixo fluxo de veículos, com exceção da Avenida Victória Aguirré que se caracteriza por ser uma via coletora, de tráfego mais intenso.

Relatório Técnico: Biogeografia

1 - Perfil Fitogeográfico do Paraná


Figura 7: Mapa Fitogeográfico do Paraná.
Fonte: ITCG. Org: Lucas Augusto Moreira.


Figura 8: Perfil Fitogeográfico do Paraná.
Fonte: Mário S. de Melo. Org: Lucas Augusto Moreira.


2 - Questões de Biogeografia

2.1 - Ecomuseu:
- O que significa a palavra tupi-gurani IGUAÇU: Água Grande.
- O que significa a palavra tupi-guarani ITAIPU: Pedra que Canta.
- Em qual rio foi construída a Hidrelétrica de Itaipu: Rio Paraná.
- O lago de Itaipu é de que tamanho? 1.350 Km².
- Qual o tamanho em Km² do município de Londrina? 1.651 km².
- Mencionar 3 espécies da flora do Parque Nacional do Iguaçu: Canjarana; Pau-marfim; Louro Pardo.
- Mencionar 3 espécies da fauna do Parque Nacional do Iguaçu: Onça-pintada; Araçai Castanha (Tucano); Gralha Azul.
- Qual a vazão média das Cataratas do Iguaçu? 1.500 m³/s.
- Como é denominada a Floresta onde se encontra o Parque Nacional do Iguaçu? Floresta Subtropical Estacional Considua.
- Observe uma transecção linear da Floresta do Parque Nacional do Iguaçu e faça uma foto explicativa ou um croqui.
- Localize o Hotel em uma imagem-foto do Google Earth sabendo que as coordenas do Hotel devem ser S 25° 32.384 e W 54° 35.058.


Figura 9: Localização do Hotel 15 de Julho.
Fonte Google Earth.


2.2 - Parque Nacional Iguazu:
- Qual o nome da província biogeográfica em que se localiza o Parque Nacional Iguazu? Província Paranaense.
- Qual o maior mamífero encontrado no Parque Nacional Iguazú? E sua área de ocorrência? A Anta distribuída pela América do Sul.
- O que significa as formas dendríticas na vegetação do Parque Nacional Iguazu que podemos observar nas imagens de satélites do Google? São os vales alagados que há no parque, devido à sua formação dendrítica.
- Comentar sobre algum aspecto que você achou interessante observando o Museu do Parque Nacional Iguazú: As informações históricas do local e a cultura ali existente. Fragmentos de materiais utilizados pelos habitantes da região em tempos remotos, etc.


Considerações Finais

São fortemente visíveis as diferenciações de uso nos territórios em Foz do Iguaçu, Ciudad del Leste e Puerto Iguazu.
Foz do Iguaçu apresentou uma aceleração em seu crescimento a partir da construção da hidrelétrica de Itaipu, principalmente no que tange ao crescimento demográfico, chegando a atingir a taxa de crescimento de 385% chegando a índice de 319.189 habitantes.
Hoje conta além do atrativo natural das Cataratas do Iguaçu, a própria hidrelétrica e o ecomuseu que contribuem para a fomentação do turismo na cidade.
Há de ressaltar que mesmo contando com atrativos para o desenvolvimento local, Foz do Iguaçu conta hoje como um dos maiores índices de violência registrados, tendo um dos maiores índices no contexto estadual, uma violência caracterizada pelo tráfico de drogas, da exploração sexual e contrabando facilitado por ser uma cidade de fronteira.
Em Ciudad Del Leste a economia desenvolve-se a partir da venda dos produtos importados. O grande contingente populacional que se desloca de vários estado e países para comprar produtos com valores mais baixos, impactam de forma negativa a cidade.
A própria falta de infra-estrutura colabora para que junto ao fluxo populacional sejam visíveis a falta de organização e controle sob a disposição de lixo e esgoto nas ruas. O problema é ainda mais evidente em períodos de chuva.
O trânsito é totalmente desorganizado e as condições de transporte não são das melhores, nem mesmo nos táxis de valor mais elevado. Muitas crianças estão inseridas neste circuito comercial. E em algumas lojas são visíveis os apelos sexuais como atrativos para vendas.
Em Puerto Iguazu, mais especificamente na quadra observada, constatou-se em linhas gerais que se trata de uma área onde as residências são de um padrão mais elevado, tratando-se de um bairro onde ainda são encontradas áreas de lazer, como as chácaras. O asfalto é com exceção da Avenida Victória Aguirré de paralelepípedos, há galeria de esgoto, água encanada, lixeiras na maioria das casas e pouquíssimo lixo disposto na rua.
Uma área bem arborizada e como um bom índice de permeabilização do solo.
Quanto à análise biogeográfica puderam ser observados a rica diversidade ecológica presente no Parque Nacional do Iguazu na Argentina. Tratando-se uma unidade de área florestal pertencente a província paranaense. A vegetação é característica da floresta estacional semidecidual que engloba boa parte do território paranaense. Dentre as espécies vegetais pertencentes a esta tipologia florestal cita-se a Canjarana; Pau-marfim; Louro Pardo e dentre a fauna podem-se destacar a Onça-pintada o Araçai Castanha (Tucano) e a Gralha Azul.
A partir desta análise de campo foi possível verificar os diferentes tipos de uso de cada território, usos esses voltados ao desenvolvimento econômico. Utilizando das características naturais ou desenvolvendo-se como no caso de Ciudad Del leste, a partir de seu atrativo comercial.
A natureza contribui de forma direta para a sustentação econômica principalmente de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu. O parque do lado Argentino possui de boa estrutura, organização e limpeza, mas o transporte local ainda é precário.
Entretanto, a região sofre com o grande índice de violências e problemas como o trabalho infantil, a prostituição e outros devido a falta de infra-estrutura, como no caso de Ciudad del Leste destacando-se a grande quantidade de lixo e o esgoto a céu aberto que impactam diretamente na qualidade de vida e saúde da população.


Referências

CARVALHO, Márcia Siqueira de. Violência na Fronteira – crianças, adolescentes e mulheres. Resumo. Disponível em: . Acesso em: 02 dez. 2009.

INSTITUTO DE TERRAS CARTOGRAFIA E GEODÉSIA (ITCG). Produtos Cartográficos. 2009. Disponível em: . Acesso em: 06 dez. 2009.

ITAIPU BINACIONAL. 2009. Disponível em: . Acesso em: 28 nov. 2009.

PREFEITURA MUNCIPAL DE FOZ DO IGUAÇU. 2009. Disponível em: . Acesso em: 28 nov. 2009.

SANTOS, Milton e SIQUEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no inicio do século XXI. 5ºed. Rio de Janeiro: Record,2003.

WAILSELFISZ, Julio Jacobo. Mapa de la Violência de los Municípios Brasileños. Brasília: RITLA (Rede de Informação Tecnológica Latino Americana), 2008.



















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