GRUPO 6 - DISCENTES:
José Aparecido da Silva
Silvano Vasconcelos Pimenta
Silvio Marcelo Pimenta
Tiago de Paula
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
RELATÓRIO DE CAMPO ELABORADO A PARTIR DA VISITA À TRÍPLICE FRONTEIRA BRASIL - PARAGUAI - ARGENTINA PELOS ACADÊMICOS DO 4.º ANO DO CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA PARA OBTENÇÃO DE CONCLUSÃO DAS DISCIPLINAS DE GEOGRAFIA DO BRASIL E BIOGEOGRAFIA MINISTRADAS PELA PÓS DOUTORA MÁRCIA SIQUEIRA DE CARVALHO E PELO PÓS DOUTOR OMAR NETO FERNANDES BARROS, RESPECTIVAMENTE.
INTRODUÇÃO
Este relatório de campo tem como finalidade a apresentação e análise do trabalho de campo realizado nos dias 16, 17 e 18 do mês de outubro do ano de 2009, nas cidades de Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad Del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina), região conhecida como Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina).
Na disciplina de Geografia do Brasil, ministrada pela Pós Doutora Marcia Siqueira de Carvalho, o objetivo era conhecer a forma e a infra-estrutura da parte urbana da cidade de Foz do Iguaçu, principalmente a área central. O outro objetivo era reconhecer a forma e a infra-estrutura da Ciudad Del Este no Paraguai, sua forma de organização, seu comércio e o uso e apropriação do espaço pelos camelôs (mesiteros).
As atividades da disciplina de Biogeografia, ministrada pelo Pós Doutor Omar Neto Fernandes Barros, foram realizadas em conjunto com as da disciplina de Geografia do Brasil e consistiram em uma visita à Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional e ao Eco-Museu da usina. Na seqüência do roteiro do trabalho de campo visitamos o Parque Nacional de Iguaçu dentro do território argentino.
Nesse relatório enfatizaremos as espécies nativas da fauna e da flora dessa região, conciliando o que foi estudado em sala de aula com a prática do trabalho de campo.
Ainda nesse relatório detalharemos os aspectos encontrados durante o percurso realizado na Usina de Itaipu e também no Parque Nacional do Iguaçu, buscando evidenciar a importância da realização dessas atividades de modo empírico.
VISITA A CIUDAD DEL ESTE

Ilustração 1: Mapa do Paraná com roteiro em vermelho do trajeto do trabalho de campo. Org: José Aparecido da Silva.
Saímos dia 16/10/09 por volta das 22 h 40 min do estacionamento do CCE rumo a cidade de Foz do Iguaçu, passamos por Campo Mourão por volta das 2:00min. da manhã do dia 17/10/09 e chegamos a Foz do Iguaçu às 6:40min., tomamos café em uma padaria e fomos em direção ao hotel San Diego por volta das 8:00min.
Após deixarmos nossas bagagens no hotel, saímos as 9:40min rumo a Ciudad Del Este, onde o pessoal aproveitou para ir às compras e analisar o caos do espaço urbano naquela cidade.
Na fronteira entre Brasil e Paraguai o turista, para adentrar ao território paraguaio caminhando, somente mostra sua carteira de identidade a um fiscal, mas eles nem recolhem sua carteira de identidade para olhar, simplesmente o turista mostra a identidade e entra no país.
Localizada no extremo oeste do Paraguai (PY),
Ciudad del Este está separada pelo rio Paraná da cidade de Foz do Iguaçu, Brasil
(BR) . Diante dela e do outro lado do rio Iguaçu está localizada a cidade de
Puerto Iguazú, Argentina (AR). Na confluência desses dois rios encontram-se os
limites internacionais entre os três países. Sobre eles, as pontes que unem os
países: a Ponte da Amizade (Ciudad del Este – Foz do Iguaçu) e a ponte Tancredo
Neves (Foz do Iguaçu – Puerto Iguazú), originalmente chamada Ponte da
Fraternidade. Ciudad del Este tem seu centro comercial localizado nas imediações
da saída da Ponte da Amizade. Em seus estabelecimentos comerciais, galerias,
shoppings e postos de venda de rua oferecem-se mercadorias que são, em sua
grande maioria, produtos importados de diversas partes do mundo, especialmente
do sudeste asiático. (RABOSSI, 2004 p. 6-7)
A Ciudad Del Este foi fundada em 1957 e seu crescimento está relacionado ao dinamismo do seu comércio e tem se tornado um dos centros comerciais regionais mais importantes da América Latina. (RABOSSI, 2004)
“Em termos demográficos e econômicos, Ciudad del Este é a segunda cidade em importância do Paraguai” ( RABOSSI, 2004, p. 05). Nesta cidade se observou uma grande multidão de pessoas, indo e vindo sem organização nenhuma, outras vezes aglomerada em lojas ou em shoppings centers.
No caminho podemos observar, a partir da travessia da ponte da amizade, moradias irregulares às margens do Rio Paraná, falta de mata ciliar, poluição sonora muito forte, além do barulho dos carros, camionetes, caminhões e motocicletas. As buzinas são constantes, o que já causa stress no turista, poluição pelos gases emitidos pelos veículos, o trânsito começa ali a ficar desorganizado, a poluição visual é muito grande, pois vemos a cidade atrás dos outdoors e muito lixo nas ruas, além do grande fluxo de pessoas.
É comum ver pessoas voltando do Paraguai com muitas sacolas com produtos dos mais variados tipos, como notebook, aparelhos de jogos, roupas, cobertores, brinquedos, etc., essas pessoas são de várias regiões do Brasil e até de outros países circunvizinhos.
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Ilustração 2: Movimentação de entrada e saída de pessoas pela Ponte da Amizade, nota-se o grande fluxo de veículos, vans com passageiros que foram as compras na Ciudad Del Este e vários moto-taxi com compradores também. Foto: José Aparecido da Silva.
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Ilustração 3: A situação precária na avenida de acesso à Ciudad del Leste, os buracos causam estas poças d'água, neste local está sendo erguido uma cobertura na rua. Nota-se a presença de vans para transporte dos sacoleiros. Foto: José Aparecido da Silva.
Na entrada da cidade já sentimos o “drama”, pois as condições de tráfego para os veículos eram quase impossíveis. Estava em construção uma cobertura e a rua estava muito cheia de buracos que empossavam muita água deixando os carros quase atolados.
Ao chegarmos lá se observa explicitamente a presença massante do capital oferecendo produtos muitas vezes de origem ilegal, e consumismo do ser humano, muitas pessoas compram produtos lá para revenderem no Brasil e têm isso como fonte de renda e trabalho.
O trânsito é muito caótico visto que não tem organização pela quantidade de veículos e pela largura das ruas não comportarem tal intensidade. O pedestre tem que tomar muito cuidado e ser esperto para não ser atropelado por um carro ou motocicleta.
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Ilustração 4: O caos em Ciudad del Leste, grande fluxo de pessoas, automóveis atrapalhando o trânsito, pois estão mal estacionados, fica claro a ocupação das calçadas pelos mesiteros Foto: José Aparecido da Silva.
As calçadas não são quase intransitáveis visto que são tomadas pelos “mesiteros” (vendedores de rua) com seus produtos.
Com suas mercadorias colocadas sobre suas mesitas (diminutivo de mesa, estruturas desmontáveis de madeira) ou sobre caixas e outras estruturas permanentes que instalaram na vereda, os mesiteros são os responsáveis pela densa ocupação das ruas do microcentro. Os cálculos mais modestos durante o ano 2001 falavam de 1500 mesiteros trabalhando na rua, outros falavam de mais de 4500. Localizadas também na vereda, as casillas (quiosque) já têm outro status, gozando das vantagens que um espaço interior oferece para guardar e atender, por menor que ele seja. (RABOSSI, 2004, p. 57).
Os vendedores ambulantes “perseguem” os pedestres oferecendo perfumes, CD e DVD pirata, perfumes, meias, etc. tentando convencer as pessoas a comprarem suas mercadorias. Outro fato que nos chamou a atenção foi o “churrasco-grego” que é um tipo de carne assada ao ar livre sem nenhuma forma de higiene.
A presença de esgotos a céu aberto é constante, pois andamos pisando em águas de esgoto nas ruas ou nas guias. Além do mais as ruas são estreitas, sujas e a aglomeração de pessoas e o trânsito deixa ainda mais caótica a situação da cidade. Pode se verificar o emaranhado de fios da rede elétrica, o que provavelmente são ligações irregulares, os famosos “gatos” que conhecemos no Brasil.
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Ilustração 5: As precárias condições das edificações de Ciudad del Leste, prédios antigos com ligações elétricas muita das vezes clandestinas. Notar dos lados os mesiteros ocupando as calçadas. Foto: José Aparecido da Silva.
Segundo o relato de um motorista que estava à espera de passageiros que realizavam compras, devido a uma chuva ocorrida ha alguns dias atrás ocorreu a interrupção no fornecimento de energia e o caos nas lojas foi muito grande, provocando enormes filas para os clientes comprarem suas mercadorias.
Saímos do Paraguai por volta das 13 h 20 min e fomos em direção ao hotel para ali procurarmos um restaurante e almoçarmos.
FOZ DO IGUAÇU
Foz do Iguaçu é um dos três pólos mais importante da Mesorregião Oeste do Paraná (ROSEIRA, 2006).
O turismo e a criação de postos de trabalho através da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu fizeram do município um pólo atrativo de migrantes da região oeste do Paraná.
Foz do Iguaçu é uma das cidades com maiores problemas sociais, como criminalidade, formação de favelas, etc.
O turismo em Foz do Iguaçu é de suma importância, visto que apresenta como atrações turísticas as cataratas e a usina hidrelétrica Itaipu. “São em torno do turismo de visitação a Itaipu e às Cataratas do Iguaçu que se interligam outros pontos turístico de menor força.” (ROSEIRA, 2006, p. 123).
Esses pontos turísticos de menor força que Roseira afirma se refere ao Parque das Aves que fica dentro do Parque nacional do Iguaçu e ao Eco-museu de Itaipu, o turista vem para visitar as cataratas e a Itaipu e acaba visitando esses outros lugares.
Os turistas destes locais, principalmente das cataratas, não são brasileiros, mas sim estrangeiros que vêm até o Brasil conhecer esses locais.
Nós nos hospedamos no Hotel San Diego, que fica bem no centro da cidade, um hotel muito aconchegante em seus aposentos, nos quartos havia TV a cabo, ar condicionado, e uma piscina para lazer dos seus hóspedes, além de um ótimo café da manhã.
Após almoçarmos em um restaurante na rua do hotel fomos fazer a pesquisa pelo centro da cidade de Foz do Iguaçu.
Notou-se na cidade de Foz do Iguaçu um grande movimento no centro, destacando se também as áreas verdes como o bosque. Há também espaços vazios no centro da cidade, que provavelmente são de especuladores imobiliários.
Éramos o grupo 6 (seis) que correspondia à quadra que abrangia as seguintes ruas: R. Engenheiro Rebouças, Av. J.K, R. Almirante Barroso e R. Xavier da Silva.
Ilustração 6: mapa com a divisão dos 9 grupos para análise do centro da cidade de Foz do Igauçu, em destaque o grupo 6 que correspondia ao nosso grupo. Org: Tiago de Paula
A primeira rua a ser visitada pela equipe foi a rua Xavier da Silva que, por sinal, era muito limpa, não apresentava lixo, na esquina dessa rua com a Av. Brasil havia lixeiras para coleta seletiva, embora houvesse um mau cheiro no local. A água é encanada e tratada, portanto não havia poços, existe uma rede de esgoto que passa pelo local. Há também poços de visitas para caso seja necessário algum reparo na rede de esgoto ou na rede de galerias pluviais, o mesmo possa ser efetuado.
Há uma boa distribuição quanto à presença de árvores e o calçamento das calçadas são de pavers (tijolos de concreto) onde nas suas juntas a água da chuva infiltra garantindo assim uma boa permeabilidade do solo, há também o piso grama (são quadrados de concretos com vários vãos no seu interior para nascer a grama).
A largura desta rua era de aproximadamente 7 a 8 metros mais o estacionamento, a largura das calçadas era de 3 metros com acesso para cadeirantes e havia presença de meio fio.
Por se tratar de uma área central os loteamentos são consolidados pela prefeitura e há um alinhamento nos prédios que na maior parte são de alvenaria com mais de um pavimento.
Esta rua corta a Av. Brasil e é de sentido único. O que nos chamou a atenção era a coloração das ruas com uma pintura de cor vermelha.
Ilustração 7: Rua Xavier da Silva esquina com a Avenida Brasil. Foz do Iguaçu - PR. Notar coloração avermelhada do asfalto, decoração da esquina com artefatos de cimento em foma de uma bola, notar a limpeza das vias e o estilo de decoração feito na calçada. Foto: Tiago de Paula.
Já a Av. J.K também não apresentava lixo nela, havia lixeiras nas calçadas, não há presença de poços pelo motivo da água ser tratada e encanada. Um objeto que chamou a atenção foi a tampa da galeria que era de ferro com vãos de 5 cm entre uma barra e outra.
Havia rede de esgoto, nota-se a presença de muitas árvores principalmente no canteiro central da avenida, as calçadas na maior parte é de concreto o que impermeabiliza o solo, na menor parte há o paver que garante maior permeabilidade, havia também poços de visita.
Por se tratar de uma avenida sua largura era de aproximadamente 10 metros em cada via e suas calçadas eram de 3 metros aproximadamente, notam-se calçadas danificadas necessitando de manutenção e havia meio fio em toda sua extensão.
O loteamento é consolidado pela prefeitura e os prédios são alinhados obedecendo a um padrão. Por se tratar de uma avenida comercial, as edificações são de alvenarias e com mais de um pavimento. Uma função desta avenida é o fluxo rápido do trânsito. Pode-se notar a grande presença de automóveis e ônibus.
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Ilustração 8: Avenida JK. Foz do Iguaçu - PR. Notar a largura das vias que a caracteriza como uma via de trânsito rápido, a boa arborização do canteiro central. Foto: Tiago de Paula.
Na Rua Engenheiro Rebouças também não notamos a presença de lixos em sua via, mas também não vimos lixeiras.
Não há presença de poços, há rede de esgoto, há também a presença de hidrômetros, o que significa que a água é tratada, há também poços de visitas.
Quanto a distribuição das árvores podemos dizer que além de serem poucas são más distribuídas, as calçadas são de pavers para garantir boa permeabilidade do solo.
É uma rua de sentido único com aproximadamente 8 metros de largura, as calçadas chamaram a nossa atenção, pois são bem largas, de aproximadamente 6 a 7 metros de largura e em algumas partes estão danificadas. Há presença de meio fio.
Os loteamentos são consolidados pela prefeitura e há um alinhamento entre os prédios e as construções são de alvenarias e zinco.
As construções de zinco são dos camelôs que utilizam a calçada desta rua para comercializarem suas mercadorias, principalmente roupas, que muito provavelmente são provenientes do Paraguai.
É uma rua de sentido único com circulação normal de pessoas e veículos.
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Ilustração 9: Rua Engenheiro Rebouças. Foz do Iguaçu - PR. Notar o mercado dos camelôs vendendo suas mercadorias, principalmente roupas, ocupando a calçada da rua que por sinal é de boa largura (em torno de 7 metros). Foto: Tiago de Paula.
Por último passamos na Rua Almirante Barroso. Trata-se de uma rua onde havia poucas lixeiras, todavia, não havia lixo na rua. Também não há presença de poços, mas há rede de esgoto.
Nota-se a presença de hidrômetros, não há poços de visita e por ser uma região central não hã a deposição de esgoto em valas.
Há uma boa presença de árvores nesta rua, as calçadas são de pavers ou de concreto e eram de 3 metros de largura, danificadas em algumas partes.
A rua mede cerca de 8 metros de largura com a presença de meio fio.
Os loteamentos são consolidados pela prefeitura e há um alinhamento dos prédios. Estes prédios são de alvenaria, tem funções comerciais e apresentam mais de um pavimento.
Também é uma rua de sentido único com trânsito normal. Chama a atenção o fato das calçadas terem uma sinalização em alto relevo para deficientes visuais.
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Ilustração 10: Rua Almirante Barroso. Notar o calçamento tipo paver qe garante boa permeabiliadade do solo, e o calaçamento em alto relevo para deficientes visuais Foz do Iguaçu - PR. Foto: Tiago de Paula.
O que podemos concluir é que o centro da cidade de Foz do Iguaçu é bem cuidado, aparenta um bom planejamento, diferentemente de muitas cidades maiores que não aparentam tão bom planejamento.
BIOGEOGRAFIA
No dia 18/10/2009 às 09 h deixamos o hotel San Diego partindo rumo à Usina Binacional de Itaipu.
A usina foi construída na divisa entre Brasil e Paraguai no rio Paraná, seu lago possui o tamanho de 1.350km2, o que equivale quase ao tamanho do município de Londrina (1.651km2). A usina possui 20 unidades geradoras de energia, sendo que 10 unidades geradoras ficam em território brasileiro e 10 no território paraguaio. Dos 3.000 funcionários, 1.500 são brasileiros e 1.500 são paraguaios. A usina possui dois administradores, um brasileiro e outro paraguaio.
Ao chegar à usina, adquirimos o ingresso para estudantes para ter o direito à visita panorâmica. Nesse pacote estava inclusa a visitação ao museu da usina.
Iniciamos a visita assistindo a um filme que relatava toda a história da usina, desde seu projeto, passando pela sua construção, pela formação do lago, enfocando as melhorias que a usina proporcionou para os países Brasil e Paraguai, tanto no aspecto econômico, quanto no aspecto político.
Alguns números foram falados no vídeo, como, por exemplo, a quantidade de cimento utilizado na construção que poderiam se erguere 210 estádios como o maracanã. A ferragem usada daria para construir 380 torres Eifel. A energia gerada pela usina atende a 80% do consumo paraguaio e 20% do Brasil.
Após o término do filme, seguimos em um ônibus da empresa rumo às instalações da mesma. Nesse trecho observamos a paisagem do local, sendo esta formada por pequenas porções de mata latifoliada e espécies animais tais como capivaras, pássaros silvestres e outros. É possível observar neste local a escada por onde os peixes sobem rio acima para a desova, onde eles percorrem mais de 10 km para desovar.
Algumas espécies da fauna são encontradas no parque tais como: bagre, anta, quati, capivara etc., reforçando a idéia de que mesmo com a degradação da natureza, as espécies sobrevivem. Várias dessas espécies podem ser apreciadas (empalhadas) no museu da usina, onde posteriormente fizemos a visitação.
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Ilustração 11: Réplica do ambiente natural da biodiversidade do entorno da Usina de Itaipu. Foto: Tiago de Paula.
A visita prosseguiu no ônibus, com a programação para duas paradas para observações e fotos. A primeira foi bem à frente dos vertedouros, que devido ao grande volume de água na represa, estavam abertos proporcionando uma vista belíssima, onde também observamos as dimensões da construção. Segundo o guia a vazão dos vertedouros era de 11.000m3/s.
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Ilustração 12: Vertedouro da Hidrelétrica de Itaipu com uma vazão de 11.000m3/s. Foto: Tiago de Paula.
A segunda parada foi em um ponto bem próximo às instalações da usina onde observamos e registramos o ponto onde é feita a divisão dos dois países. Também desse ponto foi possível observar melhor a grandiosidade feita pelas mãos humanas. Em seguida continuamos a visita panorâmica somente no interior do ônibus, passando por baixo dos vertedouros em direção à represa. Desse ponto pudemos observar a extensão da represa, registrando por outro ângulo a passagem da água pelos vertedouros.
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Ilustração 13: Vista parcial da barragem da Usina de Itaipu. Notar no centro o local de trabalho dos funcionários que cuidam do funcionamento da usina Foto: Tiago de Paula.
Na seqüência, após o término da visita na usina, concluímos nosso trabalho pela manhã fazendo a visita ao Eco-museu da mesma, onde observamos as variedades da fauna e flora encontradas na vegetação da usina e um pouco da história da construção da usina. O Eco-museu apresenta, de forma cronológica, a evolução social da região desde antes de Cristo, além da construção demonstrada em peças, fotos e textos da grande usina de Itaipu e sobre o Rio Paraná.
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Ilustração 14: Sítio arqeológico recuperado pelo Ecomuseu de Itaipu. Foto: Tiago de Paula.
No Eco-museu tivemos a oportunidade de vermos um sítio arqueológico que foi encontrado durante a construção da usina, podemos ver lá também um caminhão que foi usado na construção da usina para o transporte de rochas com capacidade para 50 toneladas, além de um plantio de árvores de iniciativa da Itaipu e a escada para a subida de peixes.
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Ilustração 15: Caminhão fora de estrada com capacidade para 50 t utilizado na construção da usina. Foto: Tiago de Paula.
Há também no Eco museu uma réplica de uma turbina de uma unidade geradora.
Apesar da importância que a usina hidrelétrica representa para o Brasil e o Paraguai, a degradação às diversidades biológicas e naturais provocadas pelo processo da sua construção foram significativas. Muitas espécies animais tiveram de ser capturadas e levadas para parques ou outros locais fora de seu habitat e espécies arbóreas foram cobertas pela água no momento da formação do lago, que em sua extensão chega à 7 km e seu ponto mais profundo à 180 metros.
No museu aprendemos o significado dos nomes dados ao Rio Iguaçu e à usina de Itaipu, tendo como significados Água Grande e Pedra que canta, respectivamente.
Depois desta visita fomos para a Argentina, na província de Missiones, na cidade de Puerto Iguazú. A chegada foi bem diferente do Paraguai, pois ali tivemos que mostrar nossas identidades para dar entrada no país. Ali é concedida uma licença para o turista ficar dentro do país por 72 horas, mas não se pode afastar mais de 100 km de raio da cidade de Puerto Iguazú. Depois de dada a entrada no país, tivemos que trocar moedas (cambiar Reais por Pesos Argentinos), na volta passamos na aduana para dar baixa na nossa entrada no país, visto que, se não déssemos baixa, pagaríamos multa se eventualmente tivéssemos que voltar à Argentina.
No Parque Nacional do Iguaçu, do lado argentino, observamos uma das maiores maravilhas da natureza: as cataratas do Iguaçu que estavam com vazão 7 vezes maior que a normal, que é de 1.500m3/s.
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Ilustração 16: Vista das Cataratas do Iguaçu no lado argentino, com certeza uma das maiores maravilhas da natureza Foto: Tiago de Paula.
Cataratas do Iguaçu
O Parque Nacional Iguazú localiza-se dentro da província biogeográfica denominada Bosque Paranaense, compreendida por dois traços que ocorrem em regiões onde se localizam unidades de conservação, os quais são o Parque Nacional da Amazônia e o Parque Nacional do Iguaçu.
A área das Cataratas do Iguaçu (em espanhol, Cataratas del Iguazú) é um conjunto majestoso de cerca de 275 quedas de água no Rio Iguaçu (na Bacia hidrográfica do rio Paraná), localizam entre o Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, no Brasil, e no Parque Nacional Iguazú, Misiones, na Argentina. A área total de ambos parques nacionais, correspondem a 250 mil hectares de floresta subtropical e declarada como Patrimônio Natural da Humanidade.
O Parque Nacional argentino foi criado em 1934; e o Parque Nacional brasileiro, em 1939, com o propósito de administrar e proteger o manancial de água que representa essa catarata e o conjunto do meio ambiente ao seu redor. Os parques tanto brasileiro como argentino passaram a ser considerados Patrimônio da Humanidade em 1984 e 1986, respectivamente.
A Área das Cataratas têm cerca de 275 quedas de água, com uma altura superior a 70 metros ao longo de 2,7 km do Rio Iguaçu. A Garganta do Diabo principia em forma de "U" invertido com 150 metros de largura e 80 metros de altura. A Garganta do Diabo é o maior, o mais majestoso e impressionante de todos eles. Este é devido pela linha fronteira entre o Brasil e a Argentina. A maioria das quedas de água (também chamados de saltos) fica em território argentino, mas de ambos lados obtêm-se belos panoramas. Infelizmente não foi possível a visita á Garganta do Diabo devido à grande cheia do Rio Iguaçu.
Próximo às quedas, em ambos os lados do rio, duas importantes cidades estão localizadas; Foz do Iguaçu, no Brasil e Puerto Iguazú, na província de Misiones na Argentina.
Caminhando em direção às cataratas, passamos por alguns locais que continham água parada com lixo jogado, como garrafas pet e embalagens de salgadinhos.
Os visitantes eram de várias partes do mundo, pois se ouvia o idioma alemão, inglês, espanhol, português, entre outros.
No parque visualizamos várias espécies de animais, dentre eles, quatis, lagartos, pássaros de várias espécies e insetos como formigas e borboletas.
Os animais vivem livres no parque, contudo, se alimentam de restos de alimentos deixados pelos turistas. A vegetação do parque é rica em espécies predominando árvores de médio porte.
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Ilustração 17: O quati se alimentando de restos de alimentos deixados pelos humanos dentro do Parque Naconal do Iguaçu no lado argentino. Foto: Tiago de Paula.
No parque podemos observar varias espécies da flora como o Ipê, Pata de vaca, pau marfim e outras árvores características da floresta Estacional Semidecidual, que é o nome dado a floresta onde se encontra o Parque Nacional do Iguaçu.
Ilustração 18: Vegetação original do Estado do Paraná e Perfil Fitogeográfico no corte "Foz do Iguaçu - Guaratuba. Org: José Aparecido da Silva.

Ilustração 19: Legenda do "Vegetação Original do Estado do Paraná". Org. José Aparecido da Silva.
CONCLUSÃO
Pelo que se pode observar na tríplice fronteira entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai, é explícito um conflito social e econômico naquela região, sobretudo na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. O caos presente às beiras da fronteira demonstra a busca de espaço pelas sociedades de dois países subdesenvolvidos. Sociedades sedentas por renda, dignidade e resgate de valores.
O mosaico de paisagens diferentes se mescla, mostrando de um lado a pobreza, os impactos ambientais de uma região demograficamente concentrada e o descumprimento às leis e de outro lado as riquezas biológicas e naturais preservadas e expostas aos olhos de quem queira ver, o luxo dos hotéis que recebem turistas do mundo todo, além da presença da maior usina hidrelétrica do mundo.
Esta parece ser a geografia da fronteira, onde as paisagens mudam depressa, acompanhando o ritmo desenfreado da globalização materializada no lugar.
Bibliografia
Parque nacional do Iguaçu
RABOSSI, Fernando. Nas Ruas De Ciudad Del Este: Vidas e Vendas num mercado de Fronteira. Rio de Janeiro, 2004. Tese ( Doutorado em Antropologia Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Disponível em: <http://teses.ufrj.br/PPGAS_D/FernandoRabossi.pdf
ROSEIRA, Antonio Marcos. Foz do Iguaçu: Cidade Rede Sul- Americana. 2006. 170p. Dissertação (Mestrado em Geografia). Universidade de São Paulo, São Paulo.
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O relatório e vocês ficou ótimo!
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