I - Introdução
O trabalho de campo conjunto entre as disciplinas de Geografia do Brasil e Biogeografia, sob orientação dos professores Márcia Siqueira de Carvalho e Omar Neto Fernandes Barros, respectivamente.
Foi realizado nos dias 24 e 25 de outubro, na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Partindo de orientação teórica realizada em sala, buscamos através dessa atividade empírica a análise de diversos fatores de ordem econômica, social e ambiental, realizando um paralelo entre a dinâmica espacial das três cidades visitadas.
Saindo de Londrina, partimos para Foz do Iguaçú, chegando no dia 24 pela manhã. O trabalho iniciou com a visita à Ciudad Del Este, na fronteira do Paraguai, logo em seguida. A partir dessa visita pudemos observar a estrutura urbana da cidade, que é movida pelo comércio internacional, movimentado principalmente por brasileiros. O roteiro seguiu com visitas em Foz do Iguaçú, com destaque ao Ecomuseu de Itaipu e à visita panorâmica na usina. No dia seguinte, ultrapassamos a fronteira argentina, chegando a cidade de Puerto Iguazu. O trabalho foi dividido em quadras e cada grupo se dirigiu à sua área determinada. Nosso grupo conheceu uma porção da periferia da cidade, encravada entre hotéis de luxo e áreas de visitação. A estrutura deficitária de algumas quadras demonstra a desigualdade existente na cidade, pois em algumas centenas de metros era possível observar grandes contrastes exibidos pelas ruas e residências. O trabalho seguiu com a visita ao parque argentino, onde nos defrontamos com uma grande estrutura, preparada para receber o turista estrangeiro. Com diversas informações em sinalizações e no museu, pudemos observar a diversidade natural existente na região, inclusive o processo de transformação ocorrido naquele espaço.
O trabalho de campo conjunto entre as disciplinas de Geografia do Brasil e Biogeografia, sob orientação dos professores Márcia Siqueira de Carvalho e Omar Neto Fernandes Barros, respectivamente.
Foi realizado nos dias 24 e 25 de outubro, na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Partindo de orientação teórica realizada em sala, buscamos através dessa atividade empírica a análise de diversos fatores de ordem econômica, social e ambiental, realizando um paralelo entre a dinâmica espacial das três cidades visitadas.
Saindo de Londrina, partimos para Foz do Iguaçú, chegando no dia 24 pela manhã. O trabalho iniciou com a visita à Ciudad Del Este, na fronteira do Paraguai, logo em seguida. A partir dessa visita pudemos observar a estrutura urbana da cidade, que é movida pelo comércio internacional, movimentado principalmente por brasileiros. O roteiro seguiu com visitas em Foz do Iguaçú, com destaque ao Ecomuseu de Itaipu e à visita panorâmica na usina. No dia seguinte, ultrapassamos a fronteira argentina, chegando a cidade de Puerto Iguazu. O trabalho foi dividido em quadras e cada grupo se dirigiu à sua área determinada. Nosso grupo conheceu uma porção da periferia da cidade, encravada entre hotéis de luxo e áreas de visitação. A estrutura deficitária de algumas quadras demonstra a desigualdade existente na cidade, pois em algumas centenas de metros era possível observar grandes contrastes exibidos pelas ruas e residências. O trabalho seguiu com a visita ao parque argentino, onde nos defrontamos com uma grande estrutura, preparada para receber o turista estrangeiro. Com diversas informações em sinalizações e no museu, pudemos observar a diversidade natural existente na região, inclusive o processo de transformação ocorrido naquele espaço.
Mapa 1 - Identificação das quadras - Puerto Iguazu II - A Tríplice Fronteira
As cidades de fronteira têm suas particularidades, normalmente ligadas ao fluxo de comércio e pessoas. Em Foz do Iguaçú, cidade brasileira localizada no estado do Paraná, a economia gira principalmente entorno do turismo movimentado pelo Parque Nacional do Iguaçú, que tem como atração principal as Cataratas, gigantescas quedas de água do rio Iguaçu. Em Puerto Iguazu, o caso é semelhante, a cidade depende do turismo das cataratas, mas a diferença esta na escala, já que a cidade argentina é muito menor que a brasileira.
Em território paraguaio, a Ciudad Del Este se afirma como um dos mais importantes centros urbanos do país. Em uma nação marcada pela desigualdade social e a falta de estrutura de suas cidades, o comércio de produtos importados atrai compradores de diversos lugares, principalmente dos estados do Paraná e São Paulo, no Brasil. Em sua tese de doutorado, Rabossi (2004) apresenta Ciudad Del Este como:
“Um mercado composto por imigrantes internos e externos, de origem rural e urbana, no qual ganham sua vida como vendedores ou carregadores, cambistas ou transportadores. Um mercado fronteiriço no qual se tira proveito dos diferenciais de preços e produtos entre distintos espaços nacionais, e onde milhares de compradores se abastecem de produtos. Um mercado transnacional para o qual afluem circuitos comerciais que articulam uma multiplicidade de espaços localizados em vários continentes através de comerciantes e mercadorias.”
O contraste entre a cidade paraguaia com as demais da tríplice fronteira é grande, mas mesmo entre Foz do Iguaçú e Puerto Iguazu observamos diversas discrepâncias.
Foz do Iguaçú, segundo Roseira (2006), é uma cidade rede sul-americana, a mais importante da tríplice fronteira. Com mais de trezentos mil habitantes, a cidade se consolida como centro de referência nas questões geopolíticas do cone sul, representando o maior dos três países limítrofes. Construída como colônia militar no século XIX, Foz era o ponto de transmissão dos interesses políticos, militares e econômicos da nação. Apesar de toda a relevância desde a sua fundação, a cidade sofre hoje com a falta de planejamento, apresentando uma grave desigualdade social marcada pelo altíssimo índice de violência, o grande número de ocupações irregulares e boa parte da população trabalhando em sub-empregos, ligados principalmente ao comércio com o Paraguai.
Na Argentina, onde pudemos realizar uma observação mais apurada, a realidade parece bem diferente das demais cidades estudadas. Puerto Iguazu é uma cidade pequena, sem grandes construções, exceto pelos majestosos hotéis de padrão internacional. Nesse quesito, analisamos uma das grandes divergências com a vizinha brasileira, a estrutura hoteleira, mais bem organizada e localizada, com proximidade ao maior ponto turístico da região, o Parque Nacional Del Iguazu. Nas encostas dos rios Paraná e Iguaçu, é possível observar a diferença na ocupação pelas duas cidades; enquanto na cidade argentina encontramos hotéis e marcos históricos, o lado brasileiro é marcado pela ocupação de moradias irregulares e intensa atividade do narcotráfico.
Apesar disso, a cidade de Puerto Iguazu, que poderia gozar de um considerável desenvolvimento, é também marcada pela falta de estrutura em diversos casos, como a área que visitamos na periferia. A rota dos hotéis segue o percurso do parque, deixando o centro urbano em si a margem das boas condições de infra-estrutura. O comércio central é simples, com poucas ruas com lojas principalmente de vestuário e especiarias, particularmente voltadas para o turista brasileiro, o principal visitante da cidade. Por outro lado, não encontramos áreas indevidamente ocupadas, além da densa arborização, o que demonstra uma maior consideração do município pela questão ambiental.
As cidades de fronteira têm suas particularidades, normalmente ligadas ao fluxo de comércio e pessoas. Em Foz do Iguaçú, cidade brasileira localizada no estado do Paraná, a economia gira principalmente entorno do turismo movimentado pelo Parque Nacional do Iguaçú, que tem como atração principal as Cataratas, gigantescas quedas de água do rio Iguaçu. Em Puerto Iguazu, o caso é semelhante, a cidade depende do turismo das cataratas, mas a diferença esta na escala, já que a cidade argentina é muito menor que a brasileira.
Em território paraguaio, a Ciudad Del Este se afirma como um dos mais importantes centros urbanos do país. Em uma nação marcada pela desigualdade social e a falta de estrutura de suas cidades, o comércio de produtos importados atrai compradores de diversos lugares, principalmente dos estados do Paraná e São Paulo, no Brasil. Em sua tese de doutorado, Rabossi (2004) apresenta Ciudad Del Este como:
“Um mercado composto por imigrantes internos e externos, de origem rural e urbana, no qual ganham sua vida como vendedores ou carregadores, cambistas ou transportadores. Um mercado fronteiriço no qual se tira proveito dos diferenciais de preços e produtos entre distintos espaços nacionais, e onde milhares de compradores se abastecem de produtos. Um mercado transnacional para o qual afluem circuitos comerciais que articulam uma multiplicidade de espaços localizados em vários continentes através de comerciantes e mercadorias.”
O contraste entre a cidade paraguaia com as demais da tríplice fronteira é grande, mas mesmo entre Foz do Iguaçú e Puerto Iguazu observamos diversas discrepâncias.
Foz do Iguaçú, segundo Roseira (2006), é uma cidade rede sul-americana, a mais importante da tríplice fronteira. Com mais de trezentos mil habitantes, a cidade se consolida como centro de referência nas questões geopolíticas do cone sul, representando o maior dos três países limítrofes. Construída como colônia militar no século XIX, Foz era o ponto de transmissão dos interesses políticos, militares e econômicos da nação. Apesar de toda a relevância desde a sua fundação, a cidade sofre hoje com a falta de planejamento, apresentando uma grave desigualdade social marcada pelo altíssimo índice de violência, o grande número de ocupações irregulares e boa parte da população trabalhando em sub-empregos, ligados principalmente ao comércio com o Paraguai.
Na Argentina, onde pudemos realizar uma observação mais apurada, a realidade parece bem diferente das demais cidades estudadas. Puerto Iguazu é uma cidade pequena, sem grandes construções, exceto pelos majestosos hotéis de padrão internacional. Nesse quesito, analisamos uma das grandes divergências com a vizinha brasileira, a estrutura hoteleira, mais bem organizada e localizada, com proximidade ao maior ponto turístico da região, o Parque Nacional Del Iguazu. Nas encostas dos rios Paraná e Iguaçu, é possível observar a diferença na ocupação pelas duas cidades; enquanto na cidade argentina encontramos hotéis e marcos históricos, o lado brasileiro é marcado pela ocupação de moradias irregulares e intensa atividade do narcotráfico.
Apesar disso, a cidade de Puerto Iguazu, que poderia gozar de um considerável desenvolvimento, é também marcada pela falta de estrutura em diversos casos, como a área que visitamos na periferia. A rota dos hotéis segue o percurso do parque, deixando o centro urbano em si a margem das boas condições de infra-estrutura. O comércio central é simples, com poucas ruas com lojas principalmente de vestuário e especiarias, particularmente voltadas para o turista brasileiro, o principal visitante da cidade. Por outro lado, não encontramos áreas indevidamente ocupadas, além da densa arborização, o que demonstra uma maior consideração do município pela questão ambiental.
Imagem 1 - Rua Primeiro de Maio - Puerto Iguazu
Imagem 3 - Hotel de alto padrão próximo ao marco das três fronteiras - Puerto Iguazu. Fonte: Danilo Alcantara.
III - Biogrografia: Usisna Hidrelétrica de Itaipu, Ecomuseu e Parque Das Cataratas do Iguaçú.
Características da ecorregião Alto Paraná , sua fauna e flora.
O Parque Nacional do Iguazú encontra-se na província biogeográfica paranaense, que é atualmente considerada uma sub-região na mata Atlântica. Esta ecorregião (Alto Paraná) é considerada uma das áreas com maior biodiversidade e uma das mais criticamente ameaçadas, pois restam cerca de 5% de suas florestas originais que cobriam cerca de 1.400.000 km2 no sudeste do Brasil, Paraguai oriental e nordeste da Argentina.
O Parque Nacional do Iguazú encontra-se na província biogeográfica paranaense, que é atualmente considerada uma sub-região na mata Atlântica. Esta ecorregião (Alto Paraná) é considerada uma das áreas com maior biodiversidade e uma das mais criticamente ameaçadas, pois restam cerca de 5% de suas florestas originais que cobriam cerca de 1.400.000 km2 no sudeste do Brasil, Paraguai oriental e nordeste da Argentina.

Mapa II- Províncias biogeográficas
A vegetação predominante na Ecorregião Florestas do Alto Paraná é a floresta estacional semidecidual ,constituída por fanerófitos com gemas foliares protegidas da seca por escamas (catáfilos ou pêlos), tendo folhas adultas esclerófilas ou membranáceas deciduais ,com alta diversidade de espécies de plantas, sendo as mais freqüentes o cedro (Cedrela tubiflora), canelas (Nectandra spp.), ipês (Tabebuia spp.), garapa (Apuleia leiocarpa), guatambu (Balfourodendron riedelianum), cabreúva (Myrocarpus frondosus), canafístula (Peltophorum dubium), canelas (Ocotea spp.) e tamboril(Enterolobium contortisiliquum).
Porém, as variações locais no ambiente e no tipo de solo permitem a ocorrência de outras comunidades de plantas – florestas de galeria, bambusais e palmitais (Euterpe edulis). A maioria das florestas remanescentes foi explorada para obtenção de madeira e algumas são florestas secundárias que regeneraram depois do desmatamento. Os solos da ecorregião são relativamente ricos em nutrientes. São geralmente profundos e de cor avermelhada, quando próximos aos rios principais, tornando-se menos profundos e mais pedregosos em maiores altitudes. Existe grande variação de tipos de solos, com alteração da textura, composição química e acidez (Ligier, 2000; Fernández et al., 2000).
Quanto ao clima, a ecorregião apresenta temperatura médias anuais entre 16 e 22 ºC precipitação anual de 1.500 a 2.000 mm. Na parte sul da ecorregião, as geadas são comuns durante os meses de inverno (de junho a agosto), especialmente em maiores altitudes e as precipitações tendem a ser menores. As chuvas não são uniformemente distribuídas no ano e em algumas partes da ecorregião ocorrem períodos secos de até 5 meses, normalmente no inverno.
A precipitação e a forte característica sazonal em termos de temperatura e luminosidade determinam um padrão estacional na produtividade primária da floresta (Placci et al., 1994; Di Bitetti, não publicado). Nesta Ecorregião ocorre grande variação sazonal na disponibilidade de alimentos para espécies folífagas, frugívoras e insetívoras. Folhas novas, frutas e insetos são mais abundantes nos meses da primavera, de setembro a dezembro (Placci et al., 1994; Di Bitetti & Janson, 2001).
As características naturais da região formam um habitat extremamente rico, abrigando inúmeras espécies de plantas e animais, entre elas, os espetaculares felinos – a onça pintada (Panthera onca), suçuarana (Felis concolor) e jaguatirica (Felis pardalis) (Crawshaw, 1995). Outros mamíferos comuns incluem a anta (Tapirus terrestris), três espécies de veados (Mazama americana, Mazama nana e Mazama gouazoubira), duas espécies de queixada (Tayassu pecadi e Tayassu tajacu), quati (Nasua nasua) e quatro espécies de macacos (Cebus apella nigritus, Alouatta caraya, Alouatta fusca fusca e Leontopithecus chrysopygus). Cerca de 500 espécies de pássaros são encontradas, incluindo cinco espécies de tucanos (Ramphastos toco, Ramphastos dicolorus, Pteroglossus castanotis, Baillonius bailloni e Selenidera maculirostris). Répteis e anfíbios também apresentam alta diversidade, incluindo jacarés, tartarugas, jibóias e outras serpentes (incluindo diversas espécies endêmicas do gênero Bothrops, tais como a Bothrops jararacusu), lagartos e anfíbios espetaculares, como o sapo Bufo crucifer e ranídeos como Osteocephalus langsdorffi, Hhyla faber e Phyllomedusa iheringi. Alguns animais são considerados em risco ou em vias de extinção, como a ariranha (Pteronura brasiliensis), o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), a jacutinga (Aburria jacutinga), o solitário macuco (Tinamus solitarius), o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), o lobo guará (Chrysocyon brachyurus), o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), a araponga (Procnias nudicollis) e a harpia (Harpia harpyia). Algumas espécies, como a onça pintada, a harpia, a ariranha e a queixada, necessitam de grandes extensões de floresta contínua para sobreviverem por longo tempo – o que representa um grande desafio de conservação em paisagens constituídas por fragmentos. Algumas espécies da Ecorregião Florestas do Alto Paraná têm uma distribuição bastante limitada, constituindo um endemismo local, como o mico-leão-preto, restrito a uma pequena área no oeste do estado de São Paulo (Cullen et al., 2001) e o sapo Urugua-í (Crossodactylus schmidti), endêmico de uma pequena parte de província de Misiones, na Argentina (Chebez & Casañas, 2000).A seguir algumas fotos de animais abrigados na ecorregião do Alto Paraná:
Quanto ao clima, a ecorregião apresenta temperatura médias anuais entre 16 e 22 ºC precipitação anual de 1.500 a 2.000 mm. Na parte sul da ecorregião, as geadas são comuns durante os meses de inverno (de junho a agosto), especialmente em maiores altitudes e as precipitações tendem a ser menores. As chuvas não são uniformemente distribuídas no ano e em algumas partes da ecorregião ocorrem períodos secos de até 5 meses, normalmente no inverno.
A precipitação e a forte característica sazonal em termos de temperatura e luminosidade determinam um padrão estacional na produtividade primária da floresta (Placci et al., 1994; Di Bitetti, não publicado). Nesta Ecorregião ocorre grande variação sazonal na disponibilidade de alimentos para espécies folífagas, frugívoras e insetívoras. Folhas novas, frutas e insetos são mais abundantes nos meses da primavera, de setembro a dezembro (Placci et al., 1994; Di Bitetti & Janson, 2001).
As características naturais da região formam um habitat extremamente rico, abrigando inúmeras espécies de plantas e animais, entre elas, os espetaculares felinos – a onça pintada (Panthera onca), suçuarana (Felis concolor) e jaguatirica (Felis pardalis) (Crawshaw, 1995). Outros mamíferos comuns incluem a anta (Tapirus terrestris), três espécies de veados (Mazama americana, Mazama nana e Mazama gouazoubira), duas espécies de queixada (Tayassu pecadi e Tayassu tajacu), quati (Nasua nasua) e quatro espécies de macacos (Cebus apella nigritus, Alouatta caraya, Alouatta fusca fusca e Leontopithecus chrysopygus). Cerca de 500 espécies de pássaros são encontradas, incluindo cinco espécies de tucanos (Ramphastos toco, Ramphastos dicolorus, Pteroglossus castanotis, Baillonius bailloni e Selenidera maculirostris). Répteis e anfíbios também apresentam alta diversidade, incluindo jacarés, tartarugas, jibóias e outras serpentes (incluindo diversas espécies endêmicas do gênero Bothrops, tais como a Bothrops jararacusu), lagartos e anfíbios espetaculares, como o sapo Bufo crucifer e ranídeos como Osteocephalus langsdorffi, Hhyla faber e Phyllomedusa iheringi. Alguns animais são considerados em risco ou em vias de extinção, como a ariranha (Pteronura brasiliensis), o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), a jacutinga (Aburria jacutinga), o solitário macuco (Tinamus solitarius), o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), o lobo guará (Chrysocyon brachyurus), o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), a araponga (Procnias nudicollis) e a harpia (Harpia harpyia). Algumas espécies, como a onça pintada, a harpia, a ariranha e a queixada, necessitam de grandes extensões de floresta contínua para sobreviverem por longo tempo – o que representa um grande desafio de conservação em paisagens constituídas por fragmentos. Algumas espécies da Ecorregião Florestas do Alto Paraná têm uma distribuição bastante limitada, constituindo um endemismo local, como o mico-leão-preto, restrito a uma pequena área no oeste do estado de São Paulo (Cullen et al., 2001) e o sapo Urugua-í (Crossodactylus schmidti), endêmico de uma pequena parte de província de Misiones, na Argentina (Chebez & Casañas, 2000).A seguir algumas fotos de animais abrigados na ecorregião do Alto Paraná:

Figura 4 - Jararacuçu (Bothrops jararacussu)
Figura 5-Tucano (Ramphastos toco)Os níveis de biodiversidade alfa e beta (1) são bastante altos na ecorregião, embora existam poucos locais onde se tenha feito um levantamento intensivo. Por exemplo, na Reserva de Recursos Manejados de San Rafael, Paraguai, foram levantadas 378 espécies de pássaros mas estima-se que estejam presentes na área entre 400 e 450 espécies (Clay et al., 2000). As áreas do Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, e o Parque Nacional Iguazú, na Argentina, estão entre os locais melhor estudados na ecorregião, com 460 espécies de pássaros (Saibene et al., 1993) e mais de 250 espécies de árvores. Foram levantadas entre 53 e 73 espécies de árvores por ha (dap > 10 cm) em parcelas experimentais no Parque Nacional Iguazú (Placci & Giorgis, 1994; S Holtz, comunicação pessoal). Somente neste parque, registrou-se a presença de 85 espécies de orquídeas, o que representa cerca de 1/3 das espécies conhecidas em toda a Argentina (Johnson, 2001). Também foram identificadas mais de 3.000 espécies de plantas vasculares na província de Misiones, o que representa cerca de 1/3 do total da flora vascular da Argentina (Zuloaga et al., 2000; Giraudo et al., no prelo). As florestas desta ecorregião cumprem um papel importante na conservação das microbacias hidrográficas. Elas asseguram a quantidade e a qualidade da água, essenciais para a conservação dos rios e córregos do Alto Paraná. Com uma fauna notavelmente diversa, incluindo mais de 300 espécies de peixes, além de diversos vertebrados e invertebrados aquáticos, a ecorregião dos rios e córregos do Alto Paraná apresenta um alto grau de endemismo de espécies de água doce (Olson et al., 2000).A Ecorregião Florestas do Alto Paraná está situada sobre uma grande extensão do maior reservatório aqüífero do mundo – o Aqüífero Guarani. Este aqüífero se estende por uma área total de 1,2 milhões de km², desde a região centro-oeste do Brasil passando pelo Paraguai, nordeste da Argentina e centro-oeste do Uruguai (Facetti & Stichler, 1995). O volume atual da reserva de água doce é de cerca de 40.000 km³. A sua profundidade varia desde quase zero, no Brasil, até mais de 1.000 m, na Argentina (Fili et al., 1998). Apesar da grande reserva de água na superfície, o suprimento de água potável nessa região de alta densidade demográfica depende cada vez mais dessa água do subsolo. No futuro, podem ocorrer problemas se a exploração não for feita de maneira sustentável ou se essa água tornar-se poluída. Devido à sua significativa profundidade média, o Aqüífero Guarani praticamente ainda não foi afetado pela poluição superficial (The World Bank, 1997). Entretanto, o rápido desenvolvimento da agricultura na região pode potencialmente poluir esse valioso recurso, especialmente no Brasil, onde o aqüífero está bem próximo à superfície.

Mapa III - Região ocupada pelo aqüífero Guarani(representada em azul). Fonte: cdcc.usp.br

QUESTÕES DE BIOGEOGRAFIA – 2009
ECOMUSEU:
1. O que significa a palavra tupi-guarani IGUAÇU: água grande
2. O que significa a palavra tupi-guarani ITAIPU: pedra que canta
3. Em qual rio foi construída a Hidrelétrica de Itaipu: rio Paraná
4. O lago da Itaipu é de que tamanho? 1.350 km2
5. Qual o tamanho em km2 do município de Londrina? 1.651 km2
6. Mencionar 3 espécies da flora do Parque Nacional de Iguaçu: ipê amarelo, cedro, aroeira vermelha
7. Mencionar 3 espécies da fauna do Parque Nacional de Iguaçu: onça, quati, dourado
8. Qual a vazão média das Cataratas do Iguaçu? 1.600 m3/segundo
9. Como é denominada a Floresta onde se encontra o Parque Nacional de Iguaçu? Floresta Estacional Semidecidual.
PARQUE NACIONAL IGUAZU:
1. Qual o nome da província biogeográfica em que se localiza o Parque Nacional Iguazu? Selva Paranaense
2. Qual o maior mamífero encontrado no Parque Nacional Iguazu? E sua área de ocorrência? Anta
3. O que significa as formas dendríticas na vegetação do Parque Nacional Iguazu que podemos observar nas imagens de satélites do Google? diferenças de vegetação relacionadas ao sistema de drenagem
4. Comentar sobre algum aspecto que você achou interessante observando o Museu do Parque Nacional Iguazu: O aspecto visual, muito bem ilustrado, principalmente em relação as maquetes.
IV - Considerações
O trabalho de campo na tríplice fronteira foi enriquecedor, na medida em que tivemos contato com uma realidade que tantos discutimos não só nas disciplinas de Geografia do Brasil e Biogeografia, mas durante toda a graduação. Um assunto efervescente, um cenário de contrastes e intensas relações que exprime toda uma lógica geopolítica e econômica envolvendo três dos países do cone sul.
O turismo é uma das atividades mais desenvolvidas da região, especialmente em Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu, e as conseqüências disso são claras quando nos atentamos ao baixo nível de renda da população, devido a má remuneração do setor. Por outro lado Foz do Iguaçu se consolida como pólo regional, atendendo vários municípios em seu entorno com serviços diversos, além da presença da Usina de Itaipu, maior geradora de energia elétrica do mundo.
Puerto Iguazu demonstra dependência maior ainda do setor turístico, com ausência de indústrias, pouca variedade de serviços e fraca atividade comercial. O contraste da cidade está na localização dos hotéis, fora da concentração das residências e do comércio da cidade.
Com uma dinâmica totalmente voltada para o comércio de produtos importados, Ciudad Del Este apresenta a pior situação em termos de infra-estrutura, pobreza e desrespeito ao meio ambiente, sem contar nos problemas referentes à ilegalidade e ao narcotráfico.
Com diferenças na medida em que encontramos semelhanças, as cidades da tríplice fronteira se reproduzem de acordo com suas realidades, exibindo a dinâmica do espaço, pujante em meio as relações sociais.
O turismo é uma das atividades mais desenvolvidas da região, especialmente em Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu, e as conseqüências disso são claras quando nos atentamos ao baixo nível de renda da população, devido a má remuneração do setor. Por outro lado Foz do Iguaçu se consolida como pólo regional, atendendo vários municípios em seu entorno com serviços diversos, além da presença da Usina de Itaipu, maior geradora de energia elétrica do mundo.
Puerto Iguazu demonstra dependência maior ainda do setor turístico, com ausência de indústrias, pouca variedade de serviços e fraca atividade comercial. O contraste da cidade está na localização dos hotéis, fora da concentração das residências e do comércio da cidade.
Com uma dinâmica totalmente voltada para o comércio de produtos importados, Ciudad Del Este apresenta a pior situação em termos de infra-estrutura, pobreza e desrespeito ao meio ambiente, sem contar nos problemas referentes à ilegalidade e ao narcotráfico.
Com diferenças na medida em que encontramos semelhanças, as cidades da tríplice fronteira se reproduzem de acordo com suas realidades, exibindo a dinâmica do espaço, pujante em meio as relações sociais.
REFERÊNCIAS
Portal da reserva da biosfera. Disponível em : http://www.rbma.org.br/anuario/mata_0
6_fap_capitulo_2_pag2.asp
Brigada Monte XII. Disponível em :<>
6_fap_capitulo_2_pag2.asp
Brigada Monte XII. Disponível em :<>
Paraty turismo e ecologia . Disponível em http://www.paraty.com.br/bocaina/pdf/enca
rte2.pdf
rte2.pdf
RABOSSI, Fernando. Nas Ruas de Ciudad del Este. Vidas e vendas num mercado de fronteira. Tese
de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, UFRJ, 2004.
ROSEIRA. Antonio Marcos. Foz do Iguaçu: cidade rede sul americana. São Paulo. 2006.


Ana e demais: se puderem, coloquem mais umas fotinhas da quadra 5. Ficou muito legal!
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