1 – Introdução
O trabalho de campo fora realizado nos dias 24 e 25 de outubro de 2009, nas disciplinas Geografia do Brasil e Biogeografia, nas cidades Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazu. O roteiro foi na manha do sábado (24) visita ao centro comercial da cidade de Ciudad del Este, onde observamos as condições urbanas da cidade, a zona comercial e a grande movimentação de sacoleiros. Na tarde fizemos uma análise da infra-estrutura da cidade de Foz do Iguaçu, no outro dia domingo visitamos o Eco Museu da Usina de Itaipu, onde tivemos a oportunidade de conhecer a historia da usina desde sua construção. Na tarde atravessamos a fronteira em direção a Argentina, na cidade de Puerto Iguazú para a visita do Parque Nacional de Iguazú.
2 - Análise da Tríplice Fronteira
A tríplice fronteira comporta três paises e suas respectivas municípios: Brasil, Foz do Iguaçu; Paraguai, Ciudad del Este e Argentina ,Puerto Iguazu.
A tríplice fronteira configura a real articulação entre os lugares, cada qual pertence a países distintos, porém a articulação existente entre eles configura verdadeiras redes de trocas e fluxos, de pessoas, mercadorias, bens e capitais. Nesta região fronteiriça se dão diversas relações que tem grande importância para o desenvolvimento das cidades e paises que compõe a tríplice fronteira (Paraguai, Argentina e Brasil). Relações socioeconômicas como produção, troca, distribuição, circulação e consumo de mercadorias denotam a economia determinante deste local, cada qual com sua função quanto a sua relação e função no mercado globalizado.
A região da tríplice fronteira por si só já esta conectada fisicamente, ou seja, em termos de localização territorial estas cidades estão conectadas, porem esta conexão tornou-se também material, ou seja, estabelecida pelo homem socialmente, quando estas cidades tornaram especializadas na produção ou oferta de determinados componentes para o consumo humano.
Como se observa na região da tríplice fronteira ocorre fluxo de pessoas intenso assim como o deslocamento diário de pessoas (ida e Volta) da população trabalhadora oriundas dos três paises, este tipo é a chamada de migração pendular, onde o trabalhador se desloca de uma cidade a outra para trabalhar, podemos verificar este fluxo quando se observa a grande quantidade de ônibus ofertados que circulam nas três cidades, a todas as horas do dia e noite. Estes ônibus Também são ofertados para atender a demanda de turistas que circulam na região devido aos atrativos turísticos.
De igual forma estas cidades são obrigadas a ofertar uma infra-estrutura adequada para comportar, melhorar a acessibilidade e também para atrair investimentos por meio de redes de fluxos, ou seja, o setor viario como rodovias, ferrovias e aeroportos, pois tem que dar suporte a uma importante rota de turismo nacional e internacional, para dar suporte a circulação de mercadorias, nesta esteira faz-se importante ressaltar a presença no município de Foz do Iguaçu um aeroporto internacional de grande porte, que faz com que se amplie a conexão viabilizando assim o crescente fluxo turístico.
Cumpre examinarmos neste passo que a região que incorpora a tríplice fronteira é uma região concentrada, pois existe entre as cidades uma integração econômica por meio de eixos de fluxos, para exemplificar podemos citar a rede de transporte coletivo, circulação e deslocamentos de pessoas entre as cidades que ocorre a todo o momento, esta região concentra um grande e expressivo número de pessoas que circulam ou migram de uma cidade a outra.
Cada uma das três cidades que compõe o anel que forma a tríplice fronteira tem suas características próprias e diversificadas, como posteriormente iremos fazer uma breve descrição destas características, mas, contudo vale ratificar que os territórios que as compõe possuem grande fluidez, que consiste na circulação de pessoas, mercadorias, capitais nacionais e estrangeiros, mas cabe-nos fazer uma análise de como este território comporta esta grande fluidez: Será que oferece qualidade de vida para seus moradores? Será que a infra-estrutura destas cidades abarca toda a população? A distribuição de renda é compatível ao número de turistas que embarcam e desembarcam nestas cidades? Será que a desigualdade é mais perceptível nestas localidades?
No esforço de responder as indagações acima faremos um breve resumo da situação social em que a tríplice fronteira se encontra.
As bases econômicas destes municípios são: o turismo, a agricultura, setor de serviços, na maioria ligada ao setor hoteleiro.
No município de Foz do Iguaçu se localiza o Parque Nacional do Iguaçu, as Cataratas do Iguaçu e o reservatório da Usina de Itaipu, que sem duvida movimentam o base econômica do município, sem falar da fonte de receita constituída pelo royalties, provenientes da geração de energia de Itaipu.
Já no município d Puerto Iguazú, esta localizada o lado Argentino das Cataratas do Iguaçu que constitui um forte atrativo turístico e que promove a geração de emprego e renda para o mesmo.
Ciudad del Este, é uma exceção no seu pais que predominantemente tem sua base econômica nas agroindústrias e propriedades agrícolas. É exceção, pois é uma das maiores zonas francas de comercio do mundo, área livre de comércio de importação e exportação, isenta de impostos, esta atrai diariamente milhares de compradores, vindos principalmente do Brasil.
Apesar da oferta de trabalhos nos três municípios algumas famílias vivem a margem, não conseguem se inserir em nenhuma das modalidades econômicas que destacamos acima, assim sendo situações como exploração sexual, violência, trabalho infantil, são comuns na tríplice fronteira.
No tocante do trabalho infantil crianças e adolescentes são cooptadas para todo tipo de trabalho se expõe a trabalhos perigosos, mantendo contato com produtos perigosos, trabalhos informais, como o que acontece na Ponte da Amizade, atravessando por vezes produtos ilícitos, eles são atrativos para os exploradores, pois sua mão-de-obra é barata, em vários municípios argentinos é comum ver crianças trabalhando nas zonas rurais. O trabalho infantil é uma das principais causas da evasão escolar, também é um fator que acarreta atrás na aprendizagem e aumenta índices de repetência.
Não só o trabalho infantil é atrativo dos exploradores de mão de obra barata, mas também famílias se deslocam para regiões agrícolas dos paises, e para pólos industriais. Por exemplo, o Paraguai, que apresenta um alto índice de desemprego, afetando os jovens do país, esta situação obriga-os a buscarem emprego em outros paises ou migrarem para outras regiões do mesmo, a maior parte dos paraguaios que migram tem como destino a Argentina, se concentrando principalmente na região de fronteira.
Quanto a situação de migração do Brasil segundo o Ministério das Relações Exteriores cerca de 400 mil brasileiros vivem no Paraguai, isto se intensificou com a construção da Usina de Itaipu, devido a oferta de terras agricultáveis baratas na ocasião.
O município de Foz do Iguaçu é tido como o um dos mais violentos do Brasil, isto tendo em vista os altos índices de mortes por assassinato e também por ser uma grande rota do narcotráfico.
No Paraguai o que mais se denota na região da Ponte da Amizade é a exploração do trabalho infantil, e apontam como causa desta situação a pobreza das famílias, o envolvimento das famílias com drogas, álcool, baixa escolaridade.
De igual forma a exploração sexual em regiões de fronteiras são agravadas, tanto maiores e menores são cooptadas a aderir a este tipo de pratica. Muitos aderem a este tipo de vida por não terem opção de renda e outras por que querem um meio de vida mais fácil, porém muitas são violentadas sexualmente, sendo obrigadas por exploradores a um regime de trabalho forçado e ate escravizado. Por vezes recrutadores vão ate as localidades com ofertas de trabalho, porem são redes internacionais de exploração sexual. Em Ciudad del Este, Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú foi constatado a existência deste tipo exploração comercial incluindo também crianças e adolescentes, e estão ligados ao crime organizado. A proximidade da fronteira torna pior o controle e punição visto a circulação constante de pessoas, aumentado a possibilidade de fuga e impunidade tanto de exploradores e possíveis clientes. Os lugares de exploração são as ruas, prostíbulos, casas noturnas, hotéis, terminais de caminhões e ônibus.
Outro ponto a ser destacado é o trafico de seres humanos que ocorre na região da tríplice fronteira, principalmente no Paraguai, existem redes de trafico que levam crianças para serem exploradas sexualmente em Buenos Aires, outras redes dirigem estes adolescente para Europa, América do Norte, e Oriente Médio.
Devemos apontar também que de Foz do Iguaçu para Ciudad del Este é comum encontrar brasileiros adolescentes migrantes em prostíbulos, então o fluxo do trafico de seres humanos e sexual também ocorre nesta direção. O trafico de seres humanos é um dos mais graves, pois adolescentes são exposto a vários perigos, pois são muito vulneráveis.
Como remate é importante frisar que as características socioeconômicas dos municípios que acercam a tríplice fronteira são preocupantes e denotam níveis de renda e pobreza, muito grande, parcela da população é desocupada, trabalham em empregos informais, baixa escolaridade e evasão escolar. O aumento da violência por meio do crime organizado, tráfico de armas, drogas, pessoas, violência contra criança e adolescentes, que crescem sem perspectiva de futuro. Algumas medidas vêm sendo tomadas para conter a complexa situação de violência da tríplice fronteira, por meio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com a implementação de programas de combate a exploração sexual e comercial de crianças e adolescentes, sua efetiva ação é a longo prazo mas é um primeiro passo rumo a uma eficaz medida para promover a dignidade das famílias das crianças e adolescentes que vivem na tríplice fronteira.
Explicitamos acima a situação social e econômica que assola a tríplice fronteira, mas temos que dar atenção à estrutura dos locais, visto que estes recebem um expressivo numero de pessoas e fluxos de circulação de mercadorias.
Podemos destacar as margens do rio Iguaçu que é bem diferente a situação entre o lado brasileiro e argentino, deste lado o que se vê é uma mata nativa preservada e construção de empreendimentos imobiliários milionários para acomodar turistas, já no Brasil na orla do rio Paraná a situação é bem diferente nas margens do rio o que se vê é mato, lixo e barracos, dominado por moradias irregulares, o local também é ponto de contrabando de mercadorias e drogas. Esta situação preocupa o setor turístico de Foz do Iguaçu, pois vem a migração de turistas para Puerto Iguazú.
Quanto a infra-estrutura de Ciudad del Este pontos como a Ponte da Amizade, Zona Comercial, pode-se observar ma conservação de vários pontos, falta de asfalto, saneamento, quanto as lojas o aparente caos, deve-se ao comercio de produtos ilícito feitos a luz do dia por pessoas trabalhando informalmente que propositalmente criam um ambiente de caos para que assim comercializem produtos ilícito sem que chamem a atenção. Ocupação irregular é o que se vê ao longo da cidade.
Já Puerto Iguazú como explicitaremos mais a frente são precárias as condições de saneamento, infra-estrutura, alguns pontos não possuem asfalto.
Para que possamos analisar o espaço social da tríplice fronteira, a melhor forma é considerar uma afirmativa de Santos (1988) que diz que devemos usar os conceitos de forma (paisagem), de estrutura (relação), função (organização espacial), processo (transformações através do tempo), utilizando uma escala geográfica, para que possamos compreender o movimento da sociedade e do espaço que vive em constante processo de transformação.
3 - Ciudade del Este – Paraguay
Ciudad del Este ganhou esse nome após a queda do regime ditatorial do general Strossner, quando se chamava Puerto Presidente Strossner. Cidade do Leste é a capital do departamento paraguaio de Alto Paraná. Situada no extremo leste do Paraguai, a cidade foi fundada em 3 de fevereiro de 1957, originalmente com o nome de Puerto Flor de Lís, depois, renomeada Puerto Presidente Stroessner. Ciudad del Este é a capital do departamento paraguaio de Alto Paraná. Fica a 380 km da capital Assunción.
A cidade faz parte de um triângulo internacional conhecido na região como Tríplice Fronteira, que envolve também a cidade de Foz do Iguaçu, no estado brasileiro do Paraná, e a cidade de Puerto Iguazú, na província Argentina de Missiones. As três cidades são separadas uma das outras pelo Rio Paraná e pelo Rio Iguaçu. As pontes que unem os países são a Ponte da Amizade, Ciudad del Este – Foz do Iguaçu e, a ponte Tancredo Neves, Foz do Iguaçu – Puerto Iguazú, originalmente chamada Ponte da Fraternidade.
Ciudad del Este é a terceira cidade mais populosa do Paraguai ficando atrás de Assunción e Fernando de la Mora. É a terceira maior zona de comércio livre de impostos do mundo, estando atrás de Miami e de Hong Kong. Além disso, a cidade é a sede paraguaia da Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional, a sede brasileira da empresa fica em Foz do Iguaçu. Ciudad del Este gera cerca de 60% do PIB do Paraguai .A renda com a venda de eletricidade produzida pela usina gera mais de trezentos milhões de dólares anuais para a cidade paraguaia, 95% da energia gerada pela represa de Itaipu, com participação paraguaia, é vendida ao Brasil.
O Paraguai recebe 280.454 visitantes por ano. O turismo é fraco , exceto quanto ao grande número de brasileiros e argentinos que cruzam a fronteira todos os dias para comprar, em Ciudad del Este, produtos eletrônicos originários do Extremo Oriente. Seu centro comercial localizado próximo da saída da Ponte da Amizade está repleto de estabelecimentos comerciais, tais como as galerias, os shoppings e os vendedores de rua.
Quanto ao rápido crescimento de Ciudad Del Este, Rabossi acredita que o mesmo pode ser explicado, sem desconsiderar outros fatores, pelo grande dinamismo que seu movimento comercial adquiriu, tornando-se num curtíssimo espaço de tempo um dos centros comerciais regionais mais importantes da America Latina.
3.1 - Relato do Campo
Ilustração 1: Aduana: Fronteira Brasil – Paraguay.Intenso fluxo de pedestres, veículos e motos.
Logo ao nos aproximarmos da Aduana, nos deparamos com um fluxo intenso de pessoas, veículos e motos em todas as direções. Só foi solicitada a apresentação da Carteira de Identidade e mais nada. A Ponte da Amizade apresenta péssima conservação: com buracos no chão e nas grades de proteção. O local de passagem é estreito, o que dificulta a trânsito de pessoas. A todo o momento as vans param ao nosso lado oferecendo os seus serviços. Percebemos a presença de algumas casas localizadas às margens, nas barrancas do Rio Paraná. Ao que tudo indica, parecem se tratar de ocupações irregulares.
Ilustração 2: Construções irregulares às margens do Rio Paraná.
Quando atravessamos a Ponte da Amizade, nosso trabalhou passou a ser direcionado para o Microcentro da Ciudad del Este, definido por Rabossi (2004) como “ [...] uma área compacta que ocupa umas 10 quadras de cumprimento por umas seis quadras de largura”, onde pode-se encontrar gente de todos os lugares (do Brasil, Argentina e até mesmo do Paraguai)”, fazendo compras dos mais variados os valores e quantidades adquiridas, isso, devido ao fato compensatório dos valores das mercadorias oferecidas pelos comerciantes lá instalados. Vale destacar que por ocasião de uma considerável baixa do dólar americano (no câmbio daquela cidade estava cotado a R$ 1,80, no dia da realização do trabalho de campo) o movimento de compradores era intenso, considerando-se a grande quantidade de pessoas circulando pelas ruas da Ciudad Del Este.
Ilustração 3:Travessia da Ponte da Amizade – Precárias condições de conservação: buracos no chão e nas grades de proteção, passarela estreita não comporta o grande número de pessoas que atravessam todos os dias.
A área de Ciudad Del Este próxima à ponte é o centro da cidade, onde estão concentrados os serviços privados (a maior quantidade de entidades bancárias e comércios) e, em seu limite, encontram-se os principais escritórios públicos.
Ao desenvolvimento do comércio de Ciudad Del Este segue-se o desenvolvimento de diversos tipos de transporte, movendo pessoas e mercadorias. Os taxis, de acordo com Rabossi, foram os primeiros a trabalhar com o fluxo de turistas. Ele esclarece, entretanto, que o desenvolvimento do transporte processou-se de forma distinta em Foz do Iguaçu e no Paraguai. Naquele ainda predomina o transporte com ônibus.
No que se refere à questão de edificações, o microcentro apresenta prédios de diversos tamanhos (lojas individuais e shopping centers) sem uma estrutura uniforme e também o mais comum, pessoas com pequenas barracas instaladas nas calçadas, chamadas de casillas que em muitos casos acabam até encobrindo a visão do turista/comprador em relação às lojas tradicionais, o que parece não ser um grande fator impeditivo para os donos de lojas, visto que para muitos dos vendedores é melhor trabalhar sob essa concorrência ali em Ciudad del Este do que num comércio sem muitos consumidores.
Há também os mesiteiros (termo oriundo da palavra mesita, diminutivo de mesa em espanhol) que nada mais são do que os ambulantes que trabalham no comércio apenas com um tripé no qual expõem suas mercadorias (geralmente brinquedos, óculos, relógios, objetos de pequeno porte). São comerciantes que a cada dia têm a necessidade de montar e desmontar tal estrutura a fim de desenvolver as suas atividades.
Ilustração 4: Comércio de produtos em meio às ruas e calçadas. Produtos diversos dos mais variados preços.
Na realidade, conforme oficialmente regem as leis daquele município, os mesiteiros deveriam ser vendedores regularizados, pagando determinada taxa mensal para a ocupação do espaço público na cidade. No entanto, o que ocorre é um não cumprimento da referida lei pela maior parte dos mesiteiros pelo fato de que pagando tal taxa, não lhes são dadas condições satisfatórias para trabalhar. Ou seja, na prática ocorre por síntese que “[...] para ocupar um lugar na rua, o indivíduo deve estar filiado à associação que toma conta de um lugar ou que pode conseguir a habilitação para fazê-lo.” (RABOSSI, 2004, p.162).
Trata-se de um espaço de compras e vendas que indubitavelmente figura entre os principais mercados livres de impostos do mundo. A parte da cidade é tão importante que Rabossi (2004) aponta para a existência de um Departamento Especial do Microcentro para gerenciar a localidade.
Outra questão que merece destaque em nossa análise é a da venda de drogas ilícitas e armas de fogo pelas ruas da Ciudad Del Este. Pessoas nos ofereceram “comprimidos” e armas a todo o instante enquanto caminhávamos para a realização de nosso trabalho, tudo de forma muito natural, como se estivessem vendendo qualquer outra mercadoria legal.
3.2 - Economia
De acordo com Santos (2004, p.21 e seguintes), a complexidade existente nos aglomerados urbanos, devida ao surgimento de novos públicos e ao desenvolvimento da tecnologia necessária a produção e distribuição, induz ao estudo das cidades a partir da sua divisão em dois circuitos econômicos: o circuito superior e o circuito inferior. Segundo este autor, ambos os circuitos co-existem, de modo que o inferior é subordinado ao superior.
O circuito superior originou-se diretamente da modernização tecnológica e seus elementos mais representativos hoje são os monopólios. O essencial de suas relações ocorre fora da cidade e da região que as abrigam e tem por cenário o país ou o exterior. O circuito inferior, formado de atividades de pequena dimensão e interessando principalmente às populações pobres, é ao contrário, bem enraizado e mantém relações privilegiadas com sua região. (SANTOS, 2004, p.22)
Durante o trabalho de campo, nas ruas de Ciudad del Este, pudemos perceber a presença dos dois circuitos econômicos descritos por Santos, pois de acordo com sua caracterização pode-se apresentar “o circuito superior como constituído essencialmente por formas de fabricação não- ‘capital intensivo’, pelos serviços não-modernos fornecidos ‘a varejo’ e pelo comércio não-moderno e de pequena dimensão” (Ibid. p.40).
Também pudemos apontar como representante do circuito superior o shopping Monalisa, que atende certo tipo de clientela por oferecer produtos específicos (perfumaria e produtos de beleza, em geral). As lojas eram mais sofisticadas com a venda de produtos originais de marcas conhecidas e caras. Este tipo de centro comercial é, segundo Santos, um componente do que ele chama de comércio moderno, o qual [...] realiza-se através de uma gama de estabelecimentos que vão das grandes lojas, supermercados e mesmo hipermercados, englobando um número considerável de produtos da moda e uma massa importante de consumidores, até as lojas de produtos da moda, que oferecem um pequeno número de artigos de luxo a uma clientela selecionada. A essas formas extremas, que são a modernização do bazar e a especialização sofisticada, é necessário acrescentar outro gênero de estabelecimentos especializados destinados à venda de um só ou de um número reduzido de produtos (Ibid. p.86)
Concordando com as reflexões deste autor, podemos ressaltar também os vários elementos do circuito inferior, avistados na Ciudad del Este. Um deles constitui-se dos muitos vendedores ambulantes existentes nas calçadas de quase todas as ruas, por nós percorridas. “Mesiteiros” ou não, eles expunham seus produtos em bancas improvisadas ou carregadas nas mãos mesmo.
Ilustração 5:Vendedores ambulante e mesiteiros pelas ruas de Ciudade del Este.
Quanto ao trabalho informal, prática muito explícita nesta área do Paraguai, Santos afirma que “o circuito inferior constitui também uma estrutura de abrigo para os citadinos, antigos ou novos, desprovidos de capital e de qualificação profissional. Esses encontram bem rápido uma ocupação, mesmo que seja insignificante ou aleatória” (Ibid. p.202). Tal fato pode ser observado, empiricamente ao nos depararmos com vários brasileiros trabalhando nas lojas do Paraguai e de paraguaios mesmo que são ambulantes por não possuírem qualificação profissional. Sobre os vendedores de rua, Santos diz que se trata de um tipo de “empregado” dos comerciantes para burlarem o pagamento dos impostos [...] (Ibid. p.218-219). Também é chocante presenciar o trabalho infantil de forma tão natural como a que tivemos contato. Várias crianças pequenas enfrentando duras jornadas de trabalho com a venda de “torrones e alfajors”, entre outros produtos, sem nenhuma fiscalização.
Enfim, muito do que nos aponta a teoria, neste caso a que diz respeito aos circuitos da economia de Milton Santos, pode ser constatado, em prática, nas ruas da Ciudad del Este.
Com relação à infra-estrutura sanitária, durante o percurso pelas ruas, podemos observar uma grande quantidade de lixo na mesma, sendo que estes eram das mais distintas finalidades, como por exemplo: cascas de frutas, restos de comida, sacos plásticos, embalagens de produtos, caixas de papelão, entre outros. Uma vez encontrado grande quantidade de lixo no chão, notamos a falta de lixeiras, as quais deveriam servir como receptoras dos “descartes” humanos. As poucas lixeiras encontradas, não raras vezes se tratavam de adaptações, feitas pelos comerciantes instalados em barracas na rua, de caixas ou cestos em péssimo estado. Porém, de qualquer forma tal iniciativa implica manter os arredores de sua área de comércio trafegável e com possibilidade que os clientes se aproximem dos produtos oferecidos.
Ilustração 6: Esgoto a céu aberto e lixo jogado nas ruas.
A rede de drenagem fluvial urbana apresenta-se voltada para a margem oeste do Rio Paraná. Desta maneira uma grande quantidade de lixo encontrada nas ruas “sedimenta” para as margens do rio através de chuvas, vento ou gravidade. Ou quando não desta maneira os rejeitos dos estabelecimentos comerciais são levados para as áreas mais baixas pelos próprios lojistas, como no caso de um aterro próximo ao Internacional Shopping, que mais parece uma mistura de estacionamento com usina de compostagem.
Um fator que deve ser salientado é quanto à distribuição de água, as a qual não observamos nenhum aspecto que pudesse comprovar sua verídica antecedência. Somente podemos comprovar, por meio de pequenos relatos dos comerciantes locais, que água utilizada para ingestão, é praticamente toda comprada em galões de água mineral, pois a advinda das tubulações não seria própria para consumo. Em relação à rede coletora de esgoto, esta por sua vez, também não pode ser comprovada, devido ao fato de não encontramos nenhuma tubulação específica da mesma. Em alguns locais, encontramos água empoçada e esgoto a céu aberto. Um aspecto bastante negativo da baixa infra-estrutura e ainda relacionado ao fato da obtenção da água por meio de poços artesianos também, reside na soma de uma relevante parcela dos estabelecimento não estarem ligados a rede coletora de esgoto, o que implicaria a contaminação do solo e do aquífero freático, atingindo assim a saúde da população.
Em referência as áreas verdes, pode-se dizer que havia uma pequena presença de vegetação. Já perante a impermeabilização do solo, constata-se incidir uma grande área impermeabilizada, com níveis de infiltração muito baixos, uma vez que o solo revestia-se de cimento.
Tratando-se da organização espacial da infra-estrutura viária, podemos relatar que a rua possui meio-fio, porém este estava todo coberto devido à ocupação dos vendedores, já sobre a largura da mesma, considera-se pequena devido o grande fluxo de pedestres e pessoas, as quais disputam o mesmo lugar para se locomoverem. As ruas não comportam o grande fluxo de pessoas e veículos que ali transitam e isso contribui para a dificuldade que encontramos ao atravessar as ruas.
Ilustração 7: Falta de sinalização e ruas empoçadas dificultado o trânsito.
Em relação ao alinhamento predial nota-se a presença de edifícios de médio a grande porte, estes por sua vez destacam-se pela desordem quanto à distribuição de outdoors. A distribuição de outdoors assim como nas demais ruas, era intenso, e utilizado para poder chamar a atenção dos consumidores que por lá passavam, uma vez que as barracas dos pequenos vendedores que estavam sobre as calçadas, impediam a simples visualização das entradas das lojas. Ciudad Del este é cercada de anúncios de lojas por toda a parte, ocasionando certa poluição visual, um excesso de informações.
Ilustração 8: Prédios de médio e grande porte sendo avistados durante a travessia da Ponte da Amizade.
Contudo, a cidade é desestruturada e sem muita organização e com um grande fluxo de pessoas em busca de produtos mais baratos e nem sempre de boa qualidade. Muitas pessoas que chegam a Ciudad Del Este, de acordo com rabossi, pode ver o espaço que se visualiza depois de cruzar a ponte da Amizade como um caos: postos e mais postos de venda na rua, negócios e galerias, construções irregulares, pessoas, vendendo, comprando, fazendo câmbio, carregando, cuidando. No entanto, o que para muitos se configura como uma grande confusão, para outros, constitui um espaço inteligível, a partir de suas atividades, seus códigos, relações e formas de organização.
4 - Foz do Iguaçu
O município de Foz do Iguaçu é situado no extremo-oeste do Paraná, numa região de tríplice fronteira com as cidades de Puerto Iguazu (Argentina) e Ciudad del Leste (Paraguai).
Com aproximadamente 325 mil habitantes (IBGE – 2009), número que duplica se forem consideradas as áreas urbanas de Ciudad del Este e Puerto Iguazú, tem como principal atividade econômica o turismo e como principais pontos de atrações as Cataratas do Iguaçu / Parque Nacional do Iguaçu e a Hidrelétrica Binacional de Itaipu.
Foz do Iguaçu é um importante centro na rede urbana paranaense, posicionando-se entre os principais centros nacionais. Configura mancha de ocupação contígua a Santa Terezinha do Itaipu e contínua com Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazu (Argentina). Cumpre, dessa forma, o complexo papel de polarizar uma ocupação contínua de fronteira internacional, desempenhando funções que ora se complementam ora concorrem, num movimento de oportunidades regido pela política econômica e institucional de cada um dos países.
Dados geográficos
Área
617,701 km²
População
311.336 hab.
Densidade
504,0 hab./km²
Altitude
200 metros
Clima
Subtropical
IBGE/2007
Indicadores
IDH
0,802 - PNUD/2007
PIB
R$ 4.853.331 mil IBGE/2005
PIB per capita
R$ 16.102,00 IBGE/2005
Passando por diversos ciclos econômicos (extração de madeira e cultivo de erva-mate, construção da hidrelétrica de Itaipu, exportação e turismo de compras) o município percorreu uma trajetória normal de desenvolvimento até meados da década de 70 do século passado. A partir de então teve um crescimento abrupto e desordenado, causado pela construção da hidrelétrica de Itaipu, a maior hidrelétrica em fornecimento de energia em funcionamento do mundo. Este ciclo é assim descrito pelo Departamento de Informações Institucionais da Prefeitura de Foz do Iguaçu:
“A construção da hidroelétrica de Itaipu (Brasil - Paraguai), iniciada na década de 70, causou fortes impactos demográficos e econômicos em toda a região. De imediato aumentou consideravelmente o contingente populacional da cidade. Em 1960, o município contava com 28.080 habitantes e 33.970 em 1970. Na década de 70 houve uma explosão demográfica que promoveu um aumento populacional na ordem 401,3% em relação à população existente. Tal fato foi constatado quando o IBGE promoveu o censo de 1980 e registrou uma população existente de 136.320 pessoas (aumento de 102.350 habitantes). Em 2008 o IBGE fez a previsão populacional para Foz do Iguaçu constatando 319.189 habitantes”. (Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, 2009, p.06)
Dados da Radiografia Socioeconômica de Foz do Iguaçu, feita em 2009 pela Prefeitura Municipal, dão conta que existem 80.369 domicílios residenciais, a densidade demográfica é de 504 habitantes/km2 e as famílias são compostas de 3,4 pessoas em média.
Crianças e adolescentes somam 43,04% da população, se for considerado também o jovem (até 24 anos) esta porcentagem sobe para 52,79%.
A concentração de renda é demonstrada quando apenas 7,07% das famílias possuem renda superior a 20 salários mínimos, enquanto 25, 9% das famílias residentes em Foz do Iguaçu vivem com até dois salários mínimos.
O término da construção da hidrelétrica de Itaipu e o surgimento desses “novos iguaçuenses”, com baixa renda e pequena qualificação profissional, residentes nestas quatro macro regiões, fixou no município um contingente populacional de desempregados, subempregados, “laranjas” 4e sacoleiros, sobretudo jovens e até mesmo crianças, expondo-os a todo tipo de risco social.
As principais fontes de renda de Foz do Iguaçu são o turismo e a geração de energia elétrica. É Conhecida internacionalmente por suas atrações, que trazem visitantes do Brasil e do mundo. Na área de turismo a cidade possui pontos estratégicos de importância fundamentais e únicos em sua região. Possui um grande parque hoteleiro, infra-estrutura, que necessita ser melhor planejada, para obter maior rendimento e atrair visitantes de diversas localidades. É também um dos destinos brasileiros mais visitados por turistas estrangeiros, que vêm em busca de belezas naturais, como as Cataratas do Iguaçu e artificiais como a Hidrelétrica de Itaipu.
PONTOS TURÍSTICOS E CULTURAIS
- Cataratas do Iguaçu
- Parque Nacional do Iguaçu
- Ponte da fraternidade
- Parque das Aves
- Usina Hidrelétrica de Itaipu
- Ecomuseu de Itaipu
- Macuco Safari
- Museu professor Moises Bertoni
No entanto, tais atividades aparentam ser atualmente insuficientes para manter a dinâmica econômica regional, particularmente no que se refere à geração de emprego e renda, a cidade possui um alto nível de desigualdade, apresentando diversos problemas de pobreza e criminalidade.
O crescimento econômico, condição necessária para o desenvolvimento, não acontece de maneira uniforme por todo o território de um país ou de uma região. Para Perroux (1970, p.100): “...o crescimento não surge em toda a parte ao mesmo tempo; manifesta-se com intensidades variáveis, em pontos ou pólos de crescimento; propaga-se, segundo vias diferentes e com efeitos finais variáveis, no conjunto da economia”.
4.1 - Violência
No Brasil, de modo geral, com o advento da rápida urbanização, o rearranjo demográfico muitas vezes ocorreu de forma mais acentuada do que a realocação dos recursos básicos para garantir uma vida digna a amplas parcelas da população, favorecendo alguns grupos ou regiões em detrimento de outras. O município originou-se da confluência de rotas tradicionais, local de passagem e pouso de muitos viajantes, são as que possuem os mais expressivos indicadores de atividades econômicas, mas também as que ostentam indicadores sociais de grande desigualdade. Essa desigualdade inerente ao processo de crescimento das regiões deve ser combatida para gerar maiores e melhores benefícios para todos.
A análise do espaço urbano, para Gomes (2005), requer imediata consideração da questão da criminalidade, na medida em que o aumento desta se refletiu na configuração espacial, transformando consideravelmente a paisagem urbana. O cenário que vem se consolidando no Brasil e em Cascavel está marcado pela segregação: condomínios fechados, muros altos e cercas elétricas. Assim, a criminalidade torna-se um elemento-chave para a compreensão da crescente segmentação do espaço urbano e, logo, fragmentação das redes de relações sociais entre os citadinos.
Município Estado IHA (2006) Ordem Número de mortes esperadas por homicídio (entre 12 e 18 anos)
Foz do Iguaçu PR 9,7 1º 446
Governador Valadares MG 8,5 2º 327
Cariacica ES 7,3 3º 393
Olinda PE 6,5 4º 353
Linhares ES 6,2 5º 118
Serra ES 6,1 6º 375
Duque de Caxias RJ 6,1 7º 683
Jaboatão dos Guararapes PE 6,0 8º 578
Maceió AL 6,0 9º 826
Recife PE 6,0 10º 1.263
Ranking das 10 cidades com mais de 100 mil habitantes no IHA. Fonte: SEDH, UNICEF, OF, LAV/UERJ.
4.2 - Infra-estrutura
Relação de problemas a mais difícil é especificamente a infra-estrutura, o município repete o desenho clássico das cidades brasileiras: menor atendimento nas áreas de ocupação mais recente e de menor poder aquisitivo e provimento mais amplo nas áreas mais centrais e de melhor renda.
O intenso comércio da Cidade del Leste no Paraguai está diretamente ligada ao turismo em Foz do Iguaçu, mas isto acaba interferindo na forma de administrar os recursos direcionados a investimentos em infra-estrutura, há uma preocupação sobre a mudança da dinâmica econômica para a atividade dos sacoleiros, e que Foz do Iguaçu voltou-se para atendê-los, diminuindo a atenção ao turismo, sendo o que acontece o inverso em Porto Iguaçu, há um crescente numero de investimentos, iniciativa privada e políticas governamentais para atrair turistas.
A própria prefeitura destaca em seu plano diretor as precaridades necessárias do município:
•Falta de infra-estrutura adequada para grandes eventos;
•Falta de uma linha turística;
•Existência de vazios urbanos com infra-estrutura existentes;
•Descontinuidade e obstrução do sistema viário principal;
•Trânsito de veículos pesados na área central da cidade;
• Falta de infra-estrutura de lazer e recreação (parques e praças);
•Falta de lei do sistema viário em conjunto com o uso do solo (comercial,
serviços, turístico);
•Necessidade de melhoria do serviço integrado de transporte urbano;
•Recapes estão sendo feitos em cima do calçamento poliédrico sem sistema de drenagem;
•Falta de passeios padronizados e desobstrução dos mesmos;
•Inexistência ou falta de continuidade de calçadas nos passeios públicos;
•Congestionamento de tráfego na região da ponte da Amizade dificultando a integração entre os bairros e entre os dois países.
4.3 - Análise do uso e ocupação do solo e seus reflexos ambientais.
Grupo 8: Área Central: Bartolomeu de Gusmão, Jorge sanwars, Avenida Brasil, Avenida JK e rua Almirante Barroso.
Quanto ao uso do solo, se tem problemas de adaptação e novas realidades urbanas, problemas conceituais e de nomenclatura das zonas em uso e problemas de falta de aplicabilidade.
4.4 - Imagens do trabalho de Campo em Foz do Iguaçu
Ilustração 9: Centro cidade de Foz do Iguaçu – Avenida Brasil
Ilustração 10: Os prédios possuem alinhamento horizontal, próprio de áreas comerciais. Avenida Brasil com duas vias. Ruas largas e acessíveis, com intenso fluxo de veículos de pequeno porte e pessoas (consumidores).
Ilustração 11: Tem lixeiras espalhadas pelas ruas, na proporção de 2 por 100m. Mas alguns pontos há lixo no chão, a coleta segundo os comerciantes é feita todos os dias.
Ilustração 12: Presença de hidrômetros, indicando a distribuição de água tratada.
Ilustração 13: Calçadas com acesso a deficientes físicos se contrapondo com pontos em péssimas condições.
Quanto a arborização urbana é adequada para uma área central comercial com poucas arvores distribuídas nos canteiros e calçadas, nota-se a ausência de parques e praças nesta região.
5- Parque Nacional do Iguaçu
Parque Nacional do Iguaçu, no Estado do Paraná, é uma Unidade de Conservação brasileira. Está localizado na região Extremo Oeste Paranaense, a 17 km do centro da cidade de Foz do Iguaçu e a apenas 5 km do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. O Parque Nacional tem uma área total de 185.262,20 hectares, e nele se encontra um dos mais espetaculares conjuntos de cataratas da Terra, as Cataratas do Iguaçu.
Enganam-se quem pensa que o Parque Nacional do Iguaçu, Patrimônio Natural da Humanidade, limita-se às Cataratas. Na verdade, ele apenas termina nos saltos mais famosos do planeta. E bem antes das quedas d'água já protege o curso do rio Iguaçu, que nasce na Serra do Mar e cruza quase todo o Paraná ate chegar a sua foz. Os últimos 50 quilômetros do Iguaçu estão no parque.
Tombado pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade em 1986, o segundo parque nacional mais antigo do Brasil e o maior depois da Amazônia. Estende-se por uma área de 185 mil hectares do lado brasileiro e 67 mil hectares do lado argentino, embora seu valor ambiental e a beleza das paisagens vistas ali o façam um patrimônio sem fronteira.
Não e à toa que o parque e considerado uma das ultimas reservas florestais de Mata Atlântica do tipo estacional semidecidual do Brasil e a maior reserva de floresta pluvial subtropical do mundo.
Ilustração 14: Mapa Paraná.
No parque encontramos a área das Cataratas do Iguazu, um conjunto majestoso de cerca de 275 quedas de água no Rio Iguaçu (na Bacia hidrográfica do rio Paraná), localizam entre o Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, no Brasil, e no Parque Nacional Iguazú, Misiones, na Argentina. A área total de ambos parques nacionais, correspondem a 250 mil hectares de floresta subtropical e declarada como Patrimônio Natural da Humanidade.
No Estado de Paraná, conforme estatísticas oficiais restam apenas 3,4% da floresta estacional semidecidual original. A área do Parque sozinha corresponde a mais da metade desse total, sendo, portanto, uma ilha florestada no meio de um oceano de extensos campos cultivados. Além disso, o parque assenta-se sobre o Aqüífero Guarani, uma das maiores reservas mundiais de água subterrânea.
5.1 - Diversidade Biológica
A diversidade biológica do parque inclui aproximadamente 257 espécies de borboletas, 18 de peixes, 12 de anfíbios, 41 espécies de serpentes, oito de lagartos, 340 espécies de aves e 45 de mamíferos, atraindo a atenção de vários pesquisadores que ali encontram a fonte para relevantes trabalhos científicos.
O Parque Nacional do Iguaçu abriga em seu território espécies raras da fauna e flora. São milhares de animais, muitos deles ameaçados de extinção, como a onça-pintada e o jacaré-de-papo-amarelo, e algumas espécies de aves bem raras como a jacutinga e o gavião real.
Ilustração 15: Fauna: Quati e Jacaré do Papo-Amarelo.
A flora também e bastante diversificada. Ha espécies que chegam a atingir 30 metros de altura, como a timbauva, o cedro, a peroba e os ipês, além das delicadas orquídeas e bromélias.
Ilustração 16: Flora do Parque Nacional. Ipê.
5.2 - Um pouco de Historia
Exemplo de coexistência da exploração turística com a preservação ambiental, esse fantástico ecossistema era habitat natural dos índios Caingangue e Tupi Guarani. Os índios chamavam a região do Iguaçu de "água grande" (em guarani, I=água e guaçu=grande).
Foi ponto de passagem das expedições espanholas, comandadas por dom Alvar Nunes Cabeza de Vaca, a caminho do Rio da Prata, em 1542. Mais tarde, no século XVII, a região acolheu as missões de padres jesuítas espanhóis. A área foi considerada de domínio publico em julho de 1916 através do então governador do Paraná, Affonso Alves de Camargo. Foz do Iguaçu foi ponto de partida da Coluna Prestes/Izidoro Dias, que em 1927 percorreu 45 mil quilômetros dentro do território brasileiro lutando contra as oligarquias regionais que davam sustentação ao governo central do presidente Washington Luiz.
A sua transformação em Parque Nacional foi efetivada pelo decreto federal n.º 1.035 em 10 de janeiro de 1939, assinado pelo ex-presidente do Brasil Getulio Vargas. Em 1986, foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como "Patrimônio Natural da Humanidade". Apesar do titulo da UNESCO, o parque ainda sofre com as conseqüências da ação humana. A principal delas e a Estrada do Colono, que corta a reserva em um trecho de 18 quilômetros e foi fechada apenas em 1997, depois de uma longa batalha judicial com prefeituras e o governo estadual de Paraná. A rodovia encurta em quase 200 quilômetros o acesso à Argentina e, com isso, dinamizava a economia de Capanema, município próximo da fronteira. Por causa disso, o titulo de patrimônio da humanidade da UNESCO chegou a estar ameaçado. Superada essa adversidade, o IBAMA agora tem planos de explorar desde uma perspectiva essencialmente turística, o restante do Parque Nacional do Iguaçu.
6 - QUESTÕES DE BIOGEOGRAFIA – 2009
6.1 - ECOMUSEU:
1. O que significa a palavra tupi-guarani IGUAÇU: água grande.
2. O que significa a palavra tupi-guarani ITAIPU: pedra que canta.
3. Em qual rio foi construída a Hidrelétrica de Itaipu: rio Paraná.
4. O lago da Itaipu é de que tamanho? 1.350 km2.
5. Qual o tamanho em km2 do município de Londrina? 1.651 km2.
6. Mencionar 3 espécies da flora do Parque Nacional de Iguaçu: ipê amarelo, cedro, aroeira vermelha.
7. Mencionar 3 espécies da fauna do Parque Nacional de Iguaçu: onça, quati, dourado, urutau e lagarto.
8. Qual a vazão média das Cataratas do Iguaçu? 1.600 m3/segundo.
9. Como é denominada a Floresta onde se encontra o Parque Nacional de Iguaçu? Floresta Estacional Semidecidual.
6.2 - PARQUE NACIONAL IGUAZU:
1. Qual o nome da província biogeográfica em que se localiza o Parque Nacional Iguazu? Selva Paranaense
2. Qual o maior mamífero encontrado no Parque Nacional Iguazu? E sua área de ocorrência? Anta
3. O que significa as formas dendríticas na vegetação do Parque Nacional Iguazu que podemos observar nas imagens de satélites do Google? diferenças de vegetação relacionadas ao sistema de drenagem
4. Comentar sobre algum aspecto que você achou interessante observando o Museu do Parque Nacional Iguazu: O aspecto visual, muito bem ilustrado, principalmente em relação as maquetes.
7 - Considerações Finais
O trabalho de campo na tríplice fronteira muito rico, pois tivemos a oportunidade de vermos em campo o que fora discutido em sala nas disciplinas de Geografia do Brasil e Biogeografia, vários aspectos puderam ser enriquecidos como o a sociedade de consumo em que vivemos o território em três diferentes países, aspectos culturais diferenças marcantes nos três paises, sem falar no turismo de massa que atrai pessoas de varias partes do mundo, estas cidades são um verdadeiro intercambio, econômico e turístico, esta atividade move estas três cidades.
Podemos concluir que na tríplice fronteira as relações sociais são quase que homogêneas porém quando se trata de analisar o espaço não podemos analisá-lo como se fosse único, pois existem diferenças entre eles, devemos analisar a totalidade de relações da tríplice fronteira fragmentadamente, pois não existem lugares onde todas as relações, econômicas, políticas, sociais, jurídicas, institucionais, ideológicas, religiosas, culturais, espaciais, etc., ocorram ao mesmo tempo e em todas as suas manifestações.
8 - Referências
RABOSSI, Fernando. Nas ruas de Ciudad del Este: Vidas e vendas num mercado de fronteira. 2004. 318 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social.
SANTOS, Milton. O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. 2.ed. São Paulo: Edusp, 2004.
SANTOS, Milton. O espaço geográfico como categoria filosófica. São Paulo, 5, p. 9-20, Terra Livre, 1988.
SANTOS, Milton. O Brasil e sociedade no inicio do século XXI: A questão: o uso do territorio. Rio de Janeiro: Record, 2001. p.19-22.






















Parabéns, gurias. Uma Quilmes para cada uma.
ResponderExcluir